Monday, September 29, 2008

Festival Medieval

Ontem foi realizado no Tryon Park, aqui em Nova York o Medieval Festival. O evento acontece apenas uma vez por ano e tem direito a reis, rainhas, plebeus, dragões, cavaleiros, homem com perna de pau e bobo da corte.
É um dia inteiro dedicado a era medieval. A comida é sensacional. Vai desde a coxa de peru gigantesca, até um doce, que tem uma massa parecida com bolinho de chuva, e doce de maçã por cima. Além disso, têm barracas vendendo artesanato, muita música e bastante pessoas fantasiadas.
O duelo de espadas é a atração mais esperada. As pessoas se aglomeram em arquibancadas para assistir e dar boas risadas com a luta cômica. Cavaleiros com armaduras em seus cavalos promovem o espetáculo.
E ainda tem o museu em forma de castelo, The Cloisters, com arte da Idade Média.
Se você perdeu esse ano, não fique triste! Se programe desde já porque ano que vem tem mais.



Saturday, September 27, 2008

Geografia pra quê?

Recentemente escrevi cobri uma exposição sobre a Floresta Amazônia aqui em Nova York. Super organizada e bastante explicativa. Mas a minha maior surpresa foi quando a guia me disse que as crianças chegavam falando que a floresta está localizada na África. Justamente para evitar esse tipo de “engano”, os organizadores colocaram um mapa mundi gigantesco bem na entrada.
E em outra entrevista, uma mãe brasileira me disse que ouviu essa barbaridade de uma das professoras da escola americana: para quê as crianças vão aprender geografia? Só quem precisa saber disso são os militares!

Friday, September 26, 2008

Achados e perdidos


Se alguém perdeu um anel de diamantes, por favor ligar para o número tal. Esse foi um panfleto que uma amiga encontrou em das ruas de Manhattan um dia desses. Acredite se quiser, mas aconteceu mesmo! E em seguida, na mesma semana o chefe deixou o pagamento dela, um cheque de quase mil dólares, pendurado do lado de fora da porta do apartamento. Era tão inacreditável que ela quase tirou uma foto.
É fácil achar bilhetinhos colados nos postes, ou grades de escolas avisando que alguém achou um briquedo ou qualquer outra coisa. Legal isso né?
Recentemente recebi uma amiga do Brasil. Por duas vezes ela deixou o dinheiro cair no chão. Não preciso nem dizer o quanto ela ficou chocada com a preocupação das pessoas que devolveram o dinheiro para ela né?

Saturday, September 20, 2008

O dia mais brasileiro em NY



Sei que está muito atrasado para falar sobre o Brazilian Day, mas as pessoas estão me cobrando e então lá vai:
31 de agosto de 2008 – Saí de casa só porque tinha que cobrir evento. Várias pessoas falaram mal do Brazilian Day. Dizendo coisas do tipo: você só vai ver gente bêbada, mulheres quase nuas, brigas e baixaria. Bom, depois disso vocês imaginam a minha ansiedade em estar lá né? Hahaha. E depois da experiêcia de ir ao show do Chiclete em Newark, eu realmente fiquei com medo.
Mas a minha opinião mudou completamente. Não sei se foi porque fiquei na parte reservada a imprensa, mas não vi nada do que haviam me falado. E olhe que dei boas andadas pelo meio do povão para achar entrevistados interessantes para minha reportagem. O que vi foi gente alegre, saudosa e bebendo um pouco, é claro! O Brazilian Day é um dos poucos dias em que é permitido beber nas ruas de Manhattan.
A medida que as pessoas foram chegando, a polícia foi fechando os quarteirões. Quem entrou, entrou. Quem não chegou cedo, não conseguia mais passar para ficar perto do palco. E se saísse não voltava mais, portanto as pessoas não tinham como comprar mais bebidas. Talvez por isso não vi tanta gente embriagada. Ou vai ver os brazucas só estavam ali para curtir as bandas mesmo e deixaram de lado o álcool!
E sobre as mulheres nuas, tinham umas com o shorts bem curto, mas nada que chocasse. Alguns amigos dizem que eu participei de outro Brazilian Day porque onde eles ficaram tinha gente se pegando de um jeito que dava vontade de fazer a “clássica” pergunta: vai comer aqui ou quer que embrulhe?
O palco foi instalado na sexta avenida, entre as ruas 42 e 43. E o espaço reservado para a “bagunça” verde e amarela ia até a rua 59, onde começa o Central Park. Uma multidão com mais de um milhão de brasileiros vindos de toda parte do mundo compareceu a festa na Big Apple.
Jorge Ben Jor abriu a festa. Em seguida milhares de vozes acompanharam as músicas do ícone da música pop Lulu Santos. Mas quem fez a cidade tremer foi a atração mais esperada do dia, Saulo Fernandes da banda Eva. O baiano relembrou canções como pequena eva e levou a galera ao delírio. Fernanda Lima e André Marques fizeram a apresentação da 24ª edição do evento. Outros globais marcaram presença vip como Alinne Moraes, Flávia Alessandra, Lazáro Ramos, Serginho Groisman e Nívea Stelman.
Gente, eu preciso fazer um parênteses aqui e rasgar a seda para o Saulo Fernandes. Conheci o baiano um dia antes do evento, em um almoço promovido pela organização do Brazilian Day. Ele é um fooooofo! Além de educado, gentil, lindo e humilde. Contei a ele que tenho uma amiga americana que é fã dele e ele ficou todo feliz e falou: cadê ela? Leve ela amanhã. E depois dessa simpatia toda ainda tirou fotinha comigo!
Bom, voltando ao Brazilian Day... eu estava tão ocupada que só me lembrei das comidas típicas que são vendidas no local depois que já tinha acabado tudo! L Dizem que havia opções para todos os gostos, porque euzinha não consegui ver nada. Acarajé, vatapá, feijoada, pastel e outras delícias do nosso país tropical estavam bem pertinho de mim e eu não senti nem o cheirinho. Que absurdo!
E quem pensa que o dia foi só de brasileiros, se engana. A americana Devon Strotel, de 27 anos é fã do Brasil e foi conferir de perto a folia. Ela morou no país por um ano, fala português e ainda diz que pretende voltar em breve. “Eu tenho muitas saudades do Brasil e um evento como este dá muito mais saudades. Morei lá em 1999. Depois disso nunca mais voltei. Hoje estou feliz porque estou me sentindo perto do Brasil. Estou adorando e pretendo voltar ano que vem. Além ter vindo para comer a comida boa, vim ver a banda Eva porque sou fã. Tenho até o cd deles”, explica Devon. E nada melhor do que uma argentina para comprovar que o evento é mesmo um verdadeiro sucesso. Marina Alperro, de 26 anos, nasceu na argentina, mas a mãe é baiana. “Eu adoro o Brasil. Visito todos os anos. Apesar de não ter nascido no Brasil, eu me sinto um pouco baiana. Tenho orgulho de ter o coração metade verde e amarelo”. E não é que a Marina mostrou que tem a bahia no sangue ao dançar e cantar as músicas da banda Eva?
A festa era tão esperada que veio até caravana do Canadá. A paulista Luana platzer, de 29 anos organizou uma excursão e trouxe mais de 50 brasileiros que vivem em Montreal. Ela mora no canadá há 7 anos e pela primeira vez participou da festa. “Organizei a caravana em cima da hora, mas mesmo assim consegui trazer bastante gente. Com certeza ano que vem estarei aqui de novo e pretendo começar a reunir o pessoal uns três meses antes. Assim, quem sabe não trago mais gente.
Já Jonas Júnior, mineiro de Governador Valadares, que mora em Boston, prestigia o evento há cinco anos. E dessa vez ele caprichou no figurino com uma peruca verde chamando a atenção das câmeras e atrapalhando as minhas fotos! Brincadeira Jonas! “O Brazilian Day é a melhor coisa do mundo. Aqui não tem confusão. É um dia de festa e muita curtição. Pelo menos por um dia no ano, me sinto no Brasil”, diz ele.
Eu não podia deixar de citar o Amauri Soares, diretor de projetos especiais da Rede Globo e organizador do evento. Ele me disse que este foi o melhor Brazilian Day de todos os anos. “Esse ano foi sensacional, foi o melhor que a gente já fez. Mas esse resultado deixa uma tremenda responsabilidade para o ano que vem. Já estamos pensando em 2009 e vamos trazer muitas surpresas para a festa ser melhor ou igual a esta. Mas o importante é que Brazilian Day cresce a cada ano. Fica maior, mais complexo, mais forte. E além disso ele não tem perdido a alma brasileira. Isso aqui é a maior festa de brasileiro fora do Brasil. Uma festa de brasileiro para o mundo”, comemora Amauri. Ainda tentei arrancar dele algo, mas ele disse enfático e sorrindo: a festa do que vem é surpresa!
Ah, e no fim da festa, consegui levar a minha amiga americana ao camarim do Saulo e ele se lembrou de mim!!!! E pasmem: ele estava chorando. Segundo a prima dele, ele estava emocionado por causa do show, da receptividade, primeira vez em NY e etc. Mesmo com os olhos vermelhos ele levantou todo sorridente e veio conhecer a Kaitlen. Foi muito legal. Vocês precisavam ver a cara dos dois. Ele, acho que pensava: não é possível que tenho uma fã americana! E ela arriscou até uma frase em português quando a perguntamos o que ela estava sentindo em estar perto dele: É um sonho para mim! ;)
E eu, folgada de carteirinha, ainda aproveitei para tirar outra foto com ele. E disse: se eu já era sua fã, agora sou muito mais por causa da sua humildade. E sabem o que ele fez??? Beijou a minha mão!!!! É um fofo mesmo né gente?

Wednesday, September 17, 2008

Summer

O verão está chegando ao fim. Sinceramente? Graças a Deus! O pior era ouvir: mas você veio do Brasil deve estar acostumada com o calor! O que??? O calor de Nova York é mais ou menos como o calor de São Paulo. É abafado, não tem brisa. Parece que estamos numa sauna!
As pessoas esperam meses pelo verão, mas quando ele finalmente chega, todos querem que o outuno dê o ar da graça. O metrô fica desumano, de tão quente. Dá pena de ver aqueles tiozinhos que ficam nas bancas de revistas nas estações.
Andar pelas ruas só se for de shorts, camiseta e havaianas. As “legítimas” são bem queridas e usadas por aqui. Não existe coisa melhor do que elas durante o calor novaiorquino. Ah, e não dá para esquecer a garrafinha de água. Ninguém quer pegar uma insolação ou se desidratar não é mesmo?
E ficar em casa, só se tiver ar condicionado. Eu mesma tive que providenciar um. Foi o verão mais insurportável que já enfrentei. Mas quem mora aqui há mais tempo diz que este ano foi até generoso. Afinal, em meados de julho o clima já estava mais ameno.
Bom, o melhor de tudo é que estou escrevendo no fim do verão. As folhas secas e amarelas do outuno já estão por toda parte e eu estou adorando isso. Como disse em um post anterior, é sensacional ter as estações do ano definidas, mesmo que algumas delas nos tirem do sério.

Saturday, September 13, 2008

September 11

Na porta do meu apartamento era possível ver as luzes que substituiam as torres gêmeas. Foi surreal imaginar que há 7 anos o World Trade Center poderia ser visto de tão longe. Afinal, eram os prédios mais altos de Nova York.
As milhares de bandeiras pela cidade estavam a meio mastro e a população, de luto. Em cada praça presenciamos homenagens com militares, bombeiros, autoridades e moradores. Achei que eu não fosse me comover, mas só de imaginar que quase 3 mil pessoas morreram naquele dia, dava um aperto no coração. Imaginar que parentes ou amigos daquelas pessoas estavam num dia de trabalho qualquer e simplesmente não voltaram para casa.
O dono da Delicatessen ao lado do meu apartamento é do Paquistão, mas me contou que foi ao Ground Zero com a mãe e que os dois se emocionaram muito lembrando da tragédia. Ele estava realmente triste, apesar de não conhecer nenhuma das vítimas.
E às 8h46 da manhã, no Ground Zero, onde ficavam as torres gêmeas, um minuto de silêncio foi dedicado às vítimas. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg afirmou que a tragédia viveria para sempre nos corações e na história dos americanos. “Hoje recordamos um dia em que o mundo se quebrou”, declarou.




Tuesday, September 9, 2008

A cidade dos loucos

Eu já comentei aqui algumas vezes como é fácil achar gente doida em Nova York, mas hoje eu vi um cowboy no metrô! Além do chapéu e roupa de couro, que tinha direito a franjinha e tudo, ele estava com aquelas botas que têm o ferrinho atrás. Estilo xerife dos filmes do velho oeste. Cômico!
As pessoas que brigam com o vento são as mais comuns por aqui. Outro dia vi um homem brigando com a parede. Na imaginação dele havia mesmo alguém ali, era muito real... se a Globo visse contratava. Ah, e uma mulher alta e forte no metrô dando murros na parede do trem. Resta saber o porquê da revolta!
E ainda tem aqueles que fazem tudo pela religião. São os fanáticos que ficam gritando no meio da rua ao microfone tentando te converter. Ou dizendo que só eles irão para o céu!
Existe também aqueles mais dispostos que colocam o fone de ouvido e ficam no sol de 40 graus, cantando e dançando na calçada. São cenas ilárias!
Fora os loucos de verdade, tem os loucos por trabalho, os apressados, os estressados. Você vai passar por no mínimo cinco pessoas que parecem que estão falando sozinhas, mas estão ao celular (com aquele negócio bem brega preso no ouvido). Gesticulam, falam alto, brigam, gritam... parecem realmente lelé da cuca.

Saturday, August 30, 2008

Brasileiros em NY, paixão a primeira visita

Morar fora do Brasil é um dos desejos mais freqüentes entre a maioria dos jovens brasileiros. Conhecer uma nova cultura, aprender ou aperfeiçoar uma segunda língua é fundamental para garantir o sucesso na carreira.
A alagoana Rosa Carolina, de 30 anos decidiu trocar o carro que ganharia quando passou no vestibular, por uma viagem à Nova York. Morando nos EUA há 10 anos, ela conta que o objetivo era passar apenas um mês por aqui, mas que a paixão pelo país foi inevitável. “Eu queria ficar muito tempo morando em Nova York para aparfeiçoar o meu inglês, mas só consegui convencer os meus pais a me deixar ficar por um mês”. Mas os 30 dias acabaram se alogando mais do que o esperado e já são dez anos morando na terra do tio Sam.
Segundo a brasileira, aqui a sua personalidade caiu como uma luva. “Lá as pessoas me achavam impaciente, apressadinha. Aqui, eu me encaixei muito bem com o ritmo da cidade. Gosto da organização e admiro o sistema que funciona para todo mundo da mesma maneira. Nesse país todos têm a chance de vencer na vida, só é preciso não ter medo de trabalhar”, afirma Rosa Carolina. Ela relembra com orgulho como conseguiu a independência financeira na América. “É gratificante pagar tudo com o suor do meu trabalho. A faculdade que cursei em Nova York fui eu quem paguei. Realizei muitos sonhos como conhecer a França, Itália, Califórnia e Las Vegas. A sensação de paz é indescritível quando chega o fim do mês e facilmente consigo pagar o aluguel do apartamento, conta de celular, cartão de crédito, ir a shows e ainda colocar dinheiro na poupança. Aqui eu sou feliz, realizada. Encontrei o meu lugar no mundo”, revela Rosa.
Ao falar sobre o Brasil, o coração aperta de saudades da família, mas ela fala com convicção que apesar de morar longe das pessoas que ama, não pretende voltar a morar no lugar onde nasceu. “Tenho certeza que não conseguiria viver no Brasil novamente. Depois do meu primeiro ano aqui, passei seis meses lá. A falta de perspectiva massacrava o meu coração. Eu olhava pela janela do apartamento em Maceió, via aquele mar lindo, sentia a brisa no rosto, os abraços da minha mãe, era uma combinação perfeita, mas eu sentia que estava faltando algo. Era difícil para mim. Eu não sabia mais o que fazer para amenizar a angústia que sentia. Eu sabia que o meu destino não era ali. Hoje a tecnologia ajuda a acalmar meu coração. Ligo a webcam e vejo os meus sobrinhos cantando uma música nova que aprenderam na escola por exemplo. Escuto a risada gostosa da minha avó e ainda peço opinião da minha mãe sobre qual roupa devo usar. Dessa forma, apesar de longe, eles estão sempre muito perto de mim ”, desabafa.
Lilian Moreira, de 28 anos, também não conseguiu fugir do destino. A idéia era passar apenas um ano em Nova York para aperfeiçoar o inglês, e em seguida passar um tempo na Inglaterra. Mas não foi bem isso que aconteceu. A brasileira nascida em Minas Gerais se apaixonou pela cidade e não quis mais ir embora. Já são quatro anos vivendo longe do Brasil. “Quando vim para os Estados Unidos eu não tinha a mesma visão que tenho hoje. Tudo era muito novo, a língua ainda era uma barreira porque o meu inglês era intermediário. Agora, vejo os EUA como um país de oportunidades, onde geralmente você cresce na mesma proporção do seu trabalho e dedicação aos seus sonhos e projetos. A praticidade também me fascinou. Aqui, eu só não consigo lavar roupa pela internet! O resto, consigo tudo. Além disso, as pessoas fazem um esforço enorme para que tudo dê certo. Procuram soluções para os problemas que existem”, afirma Lilian.
A mineira destaca as vantagens de morar numa cidade tão eclética e segura. Segundo ela, é incrível o ambiente multicultural que Nova York oferece. Existem restaurantes das mais diversas nacionalidades e é possível ouvir no metrô num único dia, idiomas de várias partes do mundo. “É gratificante morar numa cidade segura. Sem falar nas oportunidades que o mercado de trabalho oferece”, destaca a brasileira. Quando o assunto é o consumismo, ela é bastante realista. “Não sou consumista, mas tenho consciência de que se morasse no Brasil seria muito difícil de ter as coisas materiais que tenho aqui, como laptop, ipod e outros eletrônicos. Aqui você pode comprar coisas legais por um preço bastante acessível”, conta Lilian.
Ela diz que se acostumou muito rápido com a cultura dos novaiorquinos e que aprecia a educação e organização deles. “Vejo os americanos como pessoas de fácil relacionamento. Quando você ganha a confiança deles, eles se tornam amigos para a vida inteira. Se voltasse para o Brasil hoje sentiria falta disso tudo. Da segurança, da pluralidade cultural, do poder aquisitivo, dos museus, parques, teatros e cafés que fazem Nova York uma cidade sensacional. Mas acho que voltar, só se for a passeio. Gosto muito daqui. Vejo meus esforços profissionais serem reconhecidos e recompensados rapidamente. Isso não tem preço”, finaliza a brasileira.


Sunday, August 24, 2008

Música embaixo de Nova York

Um dia passeando em Nova York você pode ouvir vários estilos de músicas e nos mais variados lugares. No metrô, por exemplo, existe um projeto durante o verão chamado “Music under New York”. Em cada estação temos a oportunidade de apreciar pessoas tocando saxofone, violão, guitarra, violinos, violoncelos, pandeiro, flauta, bateria e até gaita de fole com direito a roupinha escocesa e tudo.
Existem os criativos que procuram ganhar um dinheiro tocando com o que dá. Recentemente vi um rapaz com três baldes ao redor dele produzindo um som bem animado. Parecido com o Olodum. Os turistas curiosos tiravam fotos e comentavam sorrindo. Outros até se arriscavam a dançar, mas essa parte sinceramente acho melhor não comentar!
Apesar da correria, pegar o metrô acaba sendo muito agradável quando assistimos um coral de uma família cantando músicas como “Oh, Happy day...”, ou a do tema do filme Mágico de Oz. Até já comentei aqui que uma vez ouvi no metrô “Lady Laura”, do nosso Rei Roberto Carlos.
E pelas ruas você também encontra artistas competentes, com vozes maravilhosas tentando ganhar um trocado. Esperando para atravessar a rua, acabei perdendo o sinal verde dos pedestres por prestar atenção num senhor tocando jazz. Ele era sensacional!
O mais inusitado de tudo que vi até agora foi na Little Italy. Um homem, dos seus 50 e poucos anos, na carroceria de uma caminhonete com um piano tocando em pleno domingo. Tinha uma multidão ao redor dele apreciando a boa música. E o engraçado era que o cachorro de estimação ficava em cima do instrumento enquanto o dono tocava. E sempre que tinha oportunidade tentava fazer um dueto com seus uivos desafinados.

Tuesday, August 19, 2008

O dor de não ter o Green Card

Para os brasileiros que vivem nos EUA, o que dói mais quando um parente morre é não conseguir voltar para o Brasil. A angústia de ter que decidir entre dar o último adeus correndo o risco de não poder mais voltar, ou ficar por aqui e sofrer ainda mais por causa da distância.
Elias Pereira Júnior, de 41 anos, mora há 3 anos em Nova York e, durante esse período passou por uma situação muito difícil. O brasileiro soube do falecimento da mãe por meio de um site de relacionamento. O sobrinho deixou um recado pedindo para que ele ligasse urgente. Quando ligou, Elias descobriu que a sua mãe havia falecido. “Foi como se eu tivesse vivendo um pesadelo. Eu não conseguia acreditar. Não desejo isso para o meu pior inimigo. Foi o pior dia da minha vida”, revelou o brasileiro.
Ele explica que não viajou para o Brasil porque não daria tempo de chegar para assistir o velório, muito menos o sepultamento. “Dificilmente eu conseguiria uma passagem para data. E os meus irmãos me incentivaram a ficar aqui porque a minha ida não iria trazer a minha mãe de volta. Sinto muito por não ter chorado ao lado da minha família, mas acredito que todos entenderam, pelo menos o meu pai e os meus irmãos que são as pessoas que mais importam”, disse.
Os parentes de Elias preocupados em confortá-lo da melhor maneira possível, colocaram um telão no local do velório onde ele podia ver tudo em tempo real. “Apesar de ser uma cerimônia triste, eu me senti tranquilo por causa das mensagens dos pastores e dos amigos presentes. Eu conseguia ver e ouvir tudo que se passava. As pessoas podiam me ver e saber que eu estava presente de alguma forma”, relembrou Elias. O enterro foi acompanhado por meio do celular do irmão. “Fiquei ao telefone com ele o tempo todo. E quando tudo chegou ao fim, sinceramente me senti mais calmo e com mais tranquilidade”.
Graças à tecnologia, Elias pôde se sentir mais próximo dos parentes. Ele ameniza a saudade da irmã que mora na Itália e dos outros 5 irmãos que ficaram no Brasil pela internet. “Com webcam e áudio ligados, nós ficamos mais unidos. Matamos um pouco as saudades um do outro. Por causa dessa facilidade, conseguimos colocar as notícias em dia em minutos”, conta Elias.
Ele conta que se pudesse voltar no tempo e soubesse que a mãe dele iria embora tão cedo, ele teria ficado no Brasil. “Gostaria de ter passado os últimos anos ao lado da minha mãe. Fazendo ela ainda mais feliz do que era. Para as pessoas que ainda tem os pais vivos, quero dizer que valorizem e amem os seus pais e mães cada dia mais. Um dia eles se vão e pode ser que você não tenha tempo de se despedir como eu. Mas graças a Deus tive o pivilégio de dizer a ela que a amava muito. Como digo ao meu pai até hoje”, afirma o brasileiro. Ele relembra que teve tempo de homenagear a mãe com uma música que compôs para ela. Em recentemente, Elias foi pai e não podia escolher nome melhor para a sua primeira filha. O brasileiro colocou o mesmo nome da mãe: Diva.

Monday, August 11, 2008

Balada ambulante



Essa idéia deveria ser copiada no Brasil. Ainda mais agora que só se fala em Lei Seca.
Aqui em Nova York existe um famoso transporte chamado ônibus da balada. É uma verdadeira boate ambulante. Com som alto, jogo de luzes e muita gente animada a bordo. Ele leva e pega as pessoas dos bares e boates que beberam um pouco além da conta.
Dessa forma, além de não correr risco digirindo, o “bebum” ainda se diverte mais um pouco antes de chegar em casa!

Tuesday, August 5, 2008

Enquanto isso em NY...



Se você pretende vir a Nova york e não fala nada, mas nada mesmo em inglês, fique atento aos avisos que estão em todos os lugares:



Se você encontrar uma placa com o nome EXIT, não exite, saia!


Caso seja PULL, não pule, puxe!


E para PUSH, não puxe, empurre!


Foi só um textinho divertido para descontrair o seu dia. ;)

Friday, August 1, 2008

Como é ser mãe na América


Toda mãe sonha em dar o melhor para o filho. Quando se planeja uma gravidez, o local onde a criança irá crescer é um dos pontos mais importantes decididos pelo casal. Nesta edição, duas brasileiras que vivem nos EUA contam como é criar os filhos longe de casa.
A jornalista Tatiana Moreno, de 30 anos, teve o seu primeiro filho há 1 ano e meio. Quando engravidou de Marcelo, o que ela mais sentiu foi falta do carinho da família. Embora estivesse feliz por ter escolhido um país de primeiro mundo para o nascimento do filho. “Tenho muito orgulho de ter tido meu bebê aqui. Apesar dele crescer sem a presença da maioria dos parentes, tenho certeza de que ele vai me agradecer pelas oportunidades que ele terá aqui. Ele vai frequentar escolas melhores, terá bom emprego e melhor qualidade de vida. Hoje não sei se teria filhos se ainda morasse no Brasil”, revela a jornalista.
Segundo Tatiana, que mora atualmente em Jersey City, o lado ruim da moeda é viver distante da família que é muito unida. Para amenizar a saudade, ela conversa com Marcelo em português, mostra gibis da Turma da Mônica e leva o pequeno para visitar o Brasil pelo menos uma vez por ano. Ela fala também sobre a diferença de preço que encontrou para montar o enxoval. Conta que aqui tudo é mais barato e que gastou menos de mil dólares para encher o quarto do bebê. Tatiana lembra do produto que encontrou com a maior diferença de preço. “Minha irmã presenteou o Marcelo com um briquedo super legal. Ela pagou 200 reais no Brasil. Aqui, eu encontrei o mesmo brinquedo por 10 dólares”, disse ela.
O parto foi tranquilo, os médicos apesar de frios são competentes. A gente só precisa saber lidar com eles. Geralmente eles bem ocupados e vão direto ao assunto. Eles conversam e explicam as coisas, mas sem muito envolvimento. Nós brasileiros estranhamos porque não estamos habituados com isso, mas logo a gente acaba se acostumando com o jeito deles”, finaliza a jornalista.
Já Flávia Orlandi, de 35 anos, que mora em Nova york há 10, explica como foi ter a sua filha na terra do Tio Sam. Diferente de Tatiana, Flávia conta que a experiência dela não foi tão boa. E diz que se puder, terá o segundo filho no Brasil. “Tenho outras amigas que tiveram experiências ruins aqui e resolveram ter o segundo filho no Brasil. Aqui a médica não me deixou ficar em pé, o que é muito melhor porque a gravidade ajuda o bebê a descer. Por isso, demorei para dilatar e como eu não queria anestesia, fiquei sentindo dor por mais de 4 horas. No fim ela ainda me assustou dizendo que iam durar mais umas 6 horas. Depois disso, desisti e pedi anestesia. Como me deram uma dosagem muito alta eu não tive força para empurrar o bebê. E por isso a Camila nasceu com dificuldade de respirar e ficou três dias na U.T.I.. Eu e o meu marido achamos que fizeram isso por dinheiro, porque quando perguntávamos, ninguém dizia qual era o motivo dela estar lá. Era apenas por observação”, revela a brasileira.
O nome da filha foi escolhido por ser fácil de pronunciar nos EUA e também no Brasil. Camila hoje tem 1 ano e 4 meses e adora brincar no gramado de casa. “Se eu tivesse um emprego estável e me sentisse segura nas ruas do Brasil, eu não estaria aqui. Mas é aqui que está o meu marido e o meu trabalho. Mesmo assim, eu pretendo fazer ter o segundo filho no Brasil. Procurarei um médico brasileiro, ou uma parteira para ter meu filho em casa.
A insatisfação mais ouvida entre os brasileiros que vivem nos EUA é a frieza dos americanos. E reclamam que os médicos daqui não são tão carinhosos quanto no Brasil. “Talvez porque aqui tudo é baseado no dinheiro eles atendem com pressa. As dúvidas são difíceis de serem esclarecidas por causa da língua, que é diferente. Mas pelo menos a medicina aqui é bem avançada e os exames disponíveis são de alto nível”, diz Flávia.
Depois de tantas decepções, Flávia pensa que talvez criar a filha no Brasil seria uma boa opção. “Eu e meu marido estamos discutindo isso constantemente. Eu tenho medo de criar minha filha aqui e ela começar a pensar como esses americanos que acham que os EUA são centro do universo. Tenho receio das coisas que já ouvi aqui. Certa vez, escutei uma professora dizer que só quem precisa aprender geografia são os militares”, explica ela. Outro ponto que amedronta a brasileira são as drogas. “Não quero que minha filha use as drogas. E isso aqui é tão fácil de achar. Maconha aqui é rito de passagem. As pessoas não se incomodam. Tenho muito medo do ecstasy também”, revela.
Mas ao mesmo tempo que teme, ela reconhece que a vida aqui é muito mais segura que no Brasil. “Gosto da segurança que tenho aqui. Fico tranquila, não tenho medo de deixar a minha filha correr na rua. Quando , vou para o parque brincar com ela é tudo sempre muito limpinho e arrumadinho”, enfatiza. E quando perguntamos sobre a possibilidade em voltar para terra Natal, a mãe de Camila diz que por enquanto pretende ficar por aqui já que a economia do mundo gira em torno dos EUA. E ressalta as diferenças do lugar que escolheu para morar. “As pessoas tendem a achar que os EUA são a resposta pra tudo, mas no fundo qualquer lugar do mundo tem suas vantagens e desvantagens. Agradeço a Deus por viver aqui. Cheguei com quase nada e hoje tenho uma casa linda, com um jardim gostoso onde a minha filha pode brincar. Mas se eu estivesse no Brasil, eu teria outras coisas como o calor humano do brasileiro e a presença da família. Acho que isso e o que mais me faz falta, por isso quero que minha filha conheça a nossa cultura e saiba como nosso povo é abençoado”, conclui Flávia.

Saturday, July 26, 2008

Acredite se quiser!

Hoje eu sai apressada do metrô e de repente sinto alguém puxar a minha mochila. “Miss, you drop your money”, uma mulher disse para mim. Quando eu enfiei a mão no bolso para tirar o celular, o meu dinheiro caiu sem que eu percebesse. Só que quando ela conseguiu me avisar eu já estava na outra esquina. Olhei pra trás e vi que umas três pessoas tentaram me chamar. E quem me entregou o dinheiro foi um rapaz que estava recolhendo o lixo da rua no momento.
Não era muito dinheiro, mas não dava para saber porque eram muitas notas enroladas. Depois fiquei rindo sozinha sem acreditar no que tinha acontecido. Foi surreal! Afinal, se eu deixei cair a culpa foi minha. Ninguém precisava correr para me alcançar, mas ainda bem que existem pessoas honestas no mundo ainda.

Na academia que freqüento em Nova york existem armários que servem para guardar os pertences, como na maioria das academias do Brasil. Muitas pessoas esquecem de levar o cadeado para trancar e deixam as coisas assim mesmo. E ninguém mexe. Já cansei de ver as pessoas irem tomar banho e deixarem tenis dos mais caros à tôa, celular e até carteira!
É difícil se acostumar com essa confiança, mas confesso que é muito bom viver assim.

Monday, July 21, 2008

Mais sobre a educação dos americanos

É impressionante como os americanos são organizados. Na hora de pegar o metrô, de sair de um show ou peça de teatro.
Já vi lugares abarrotados de gente em Nova york, mas ninguém se encosta ou se empurra. As pessoas vão saindo aos poucos, com calma e respeitando quem está mais perto da porta.
No metrô não fica aquela confusão como eu via frenqüentemente em São Paulo com as pessoas querendo sair e outras querendo entrar ao mesmo tempo. Aqui, é normal aguardar todo mundo sair para poder entrar em seguida.
Estava comentando com uma amiga americana essa semana o número de vezes que eu escuto por dia “I’m sorry”. Às vezes por coisas bobas como virar a esquina e dar de cara com alguém na mesma direção.
Eles pedem desculpas para tudo. E eu adoro isso! Acho que quando chegar ao Brasil as pessoas vão estranhar a minha “nova educação” rsrs.

Wednesday, July 16, 2008

Indignada!

Os americanos são conhecidos pela frieza, mas essa semana presenciei uns fatos que me chocaram. Estava num parque e dois meninos estavam brigando. De longe, vi o garoto maior enfiando o rosto do pequeno na areia. As outras crianças não faziam nada. E o pior, tinha uma mãe com o filho do lado e pasmem: ela não fez nada! Fingiu que não estava vendo.
Até que chegou uma hora que tal menino encheu a mão de areia e enfiou no olho do outro. Foi quando ele saiu chorando atrás da babá que estava do outro lado papeando com as amigas.
Indigninada fui até lá e disse: eu vi o que aconteceu. Foi um menino que fez isso e aquilo e sabem o que ela me respondeu? “Isso acontece”. Enfim, o que me deixou triste foi ver as pessoas que estavam próximas não moverem um dedo.
E no mesmo dia uma garotinha caiu no chão e começou a chorar. O pai que estava sentado perto dela disse apenas: onde esta a sua mãe? Não levantou a menina e ficou fazendo perguntas enquanto a criança chorava deitada no chão.
Parece que eles têm medo de tocar uns nos outros e os pais acharem ruim. É muito estranho isso tudo. Eu não consigo me acostumar. Uma amiga que foi babá aqui no EUA por um tempo me disse: as crianças adoram as babás brasileiras porque nós abraçamos. É, e isso pelo visto não é muito freqüente por aqui.

Tuesday, July 8, 2008

Nos EUA calor é sinônimo de brasileiros nos campos de futebol

Mesmo longe do país de origem, os brasileiros não deixam de lado a grande paixão nacional. Nos EUA muitas pessoas estão aproveitando a chegada do verão para curtir com mais freqüência a famosa pelada. O Brasil é conhecido pelos grandes craques. A paixão é percebida mundialmente e não é à toa que quando falamos para um gringo onde nascemos, escutamos imediatamente: futebol, Pelé, Ronaldinho, Kaká.
O paraibano Lúcio Souza, de 41 anos, conhecido na comunidade brasileira como China, é viciado em esportes, e em especial o futebol. Atualmente morando em Danbury, Connecticut, ele explica porque gosta tanto da modalidade. “Já ganhei vários campeonatos. O futebol é um esporte fascinante. É bom para reunir os amigos e ainda podemos praticar em qualquer lugar”, disse o brasileiro.
De acordo com o “peladeiro”, agora que o clima esquentou os convites aumentam. “O verão é vida. O verde, os lagos e o sol nos animam e nos convidam a todo momento a bater uma pelada. Se no inverno eu já jogava três vezes por semana em lugares cobertos, imagine agora com esse clima perfeito. Logo que cheguei aqui nos EUA, eu ganhava dinheiro jogando. Era em média de 100 a 200 dólares por jogo. Eu conseguia saciar a vontade de bater uma bolinha e ainda ganhava uns dólares. Tem emprego melhor?”, declara.
Conta que já fez muitas loucuras para poder jogar futebol e que um dia ele percebeu o exagero. “Tive um jogo em Nova York de manhã cedinho. A segunda partida era ao meio dia em Danbury, Connecticut. E o terceiro era em Bridgeport, também em Connecticut. No último eu não recebi dinheiro, mas fui só por prazer”, complementa.
Mesmo com vida constantemente agitada e vários compromissos, Lúcio sempre conseguiu tempo para as peladas no meio da semana. E ainda diz que nem todo mundo entende o compromisso inadiável aos domingos de manhã. “Eu já avisei aos meus amigos e parentes, não marquem casamento, aniversário ou batizado dia de domingo pela manhã porque eu com certeza irei faltar. Não falto o meu jogo por nada no mundo”, afirma.
Hoje, além da prática do futebol apenas por diversão, o centroavante joga profissionalmente na primeira divisão do campeonato do estado de Connecticut, pela equipe do clube português de Danbury.
Ele relembra os tempos áureos quando foi artilheiro de um campeonato em 2000 com 34 gols. Segundo ele foi um recorde na época. Rendendo várias capas de revistas na cidade. A paixão do brasileiro vem desde pequeno. Nem a falta de estímulo do pai fez com que ele desistisse de continuar praticando o esporte. Como não existem times de futebol formados apenas por brasileiros, Lúcio sonha em um dia conseguir realizar um campeonato brasileiro nos Estados Unidos. “Só assim ficarei totalmente realizado. As pessoas poderão ver um show com 22 brasileiros e conhecer o que é jogar futebol de verdade”, finaliza ele.

Thursday, July 3, 2008

Amazônia no meio da selva de pedra



O coração do Brasil está sendo reproduzido numa das cidades mais consumistas do mundo. Nova York é o cenário da exposição Amazônia Brasil, considerado um dos eventos mais importantes sobre a região. O ambiente, os sons, o verde, as cores e a simplicidade do povo está exposta num dos pontos mais bonitos da cidade, à beira do rio Hudson no pier 17. A magia da Amazônia está transportando os visitantes para o interior da floresta. Andar pelo cenário que foi recriado pela própria comunidade é extraordinário. As maquetes foram reproduzidas exatamente como os moradores do local se enxergam. Desta forma é fácil imaginar a grandeza do lugar.
Em sua oitava edição, a mostra é organizada pelo Projeto “Saúde e Alegria” e dirigida pelo brasileiro Eugênio Scannavino Netto. “Sou médico e estou há vinte anos na Amazônia. Apesar de ser infectologista, lá a gente acaba fazendo um pouco de tudo”, diz o ele. O médico conta que queria ser útil, ajudar as pessoas. Queria trabalhar com saúde e não com doença. “Quando cheguei lá vi uma população totalmente excluída, não tinha nenhuma assistência, tinha gente que nunca tinha visto médico na vida. O povo estava morrendo a míngua por causa de diarréia, por causa de coisas simples. Aí eu resolvi ficar e comecei a montar um negócio que reunia educação, prevenção, saúde, alimentação, geração de renda, aí a coisa foi crescendo e eu fui ficando cada vez mais apaixonado pelo lugar”, explica Scannavino.
A exposição quer sensibilizar a população mundial sobre a urgência da conservação da floresta para o futuro do planeta. "Queremos expressar a voz dos brasileiros que vivem na Amazônia, apresentando a região, sua diversidade, potenciais, contradições e a vida nas comunidades locais. Nosso objetivo é mostrar essa visão realista e atual do local e conscientizar os visitantes para as questões da floresta”, afirma o médico.
Logo na entrada os visitantes encontram um mapa gigantesco que eles podem ver exatamente onde a floresta Amazônia está localizada. Em seguida eles assistem aos vídeos que mostram que o rio é o principal meio de vida dos ribeirinhos. É onde as crianças brincam, é também onde a população toma banho, lava roupa e consegue alimentos. Em média 400 crianças visitam a exposicão todos os dias e apesar de muitas delas chegarem procurando a floresta Amazônia no continente africano, elas mostram total interesse em conhecer esse pedaço tão importante do Brasil.
A brasileira Ana Oliveira, que mora em Nova York há 19 anos levou o filho de 4 anos para conhecer a exposição. “Ele nasceu aqui nos EUA e agora que ele está entendendo um pouco mais as coisas eu quero que ele conheça cada dia mais o Brasil. Ele está amando conhecer a Amazônia”, conta Ana. E quando se fala em saudades da terra natal, ela diz que o coração aperta por estar longe e que jamais vai esquecer seu país de origem. “É fantástico ver na maquete o encontro do rio negro com o solimões. As águas não se misturam por causa da densidade. É exatamente assim ao vivo. Mesmo tendo conhecido a floresta Amazônia, eu fiquei impressionada com a riqueza da exposição”, conclui a brasileira.
A mostra é uma excelente oportunidade para os novaiorquinos diminuirem o ritmo de trabalho agitado para dar um passeio pela floresta. Painéis, fotos, sons e diversas instalações recriaram o ambiente único da amazônica, incluindo a sua biodiversidade, povo, vilas e cidades. O visitante mais empolgado ainda pode conferir as exposições no Financial Center, sobre Amazônia Design de Moda e economia sustentável; no Smithsonian's National Museum of American Indian, com a mostra "Guardiões da Floresta", e as oficinas de arte no Central Park. Além disso, o evento está levando para escolas o “New York City Board of Education”. São lições sobre a Amazônia desenvolvidas e incluídas no currículo de terceiro e sexto grau.
As pessoas chegam no local achando que vão ver apenas o que a Amazônia tem de bom, mas quando saem levam o pensamento: “Opa, eu também sou responsável. Eu estou consumindo muito”. Essa é a principal mensagem da exposição, conscientizar o americano sobre o que ele pode fazer para ajudar a salvar o mundo. “Vejo que o americano vem aqui pra ver o quanto o Brasil está destruindo a Amazônia, mas quando eles percebem que o problema da Amazônia é a pressão do consumo global e aqui é o Deus do consumo, cai a ficha e eles ficam muito impressionados. Eles se sentem mal por serem tão consumistas, de gerarem tanto lixo e de desperdiçarem tanta coisa. Então esse reconhecimento pra mim é muito importante. É um aprendizado enorme para eles”, afirma Scannavino. Segundo ele, a humanidade está agindo como criança ao descer de um tobogã. “As pessoas estão sentindo muito prazer, é divertido viver e não se preocupar com o que tem na frente. Mas e lá embaixo? Não vai ter uma piscina esperando por nós. O negócio vai ser bem feio!”, finaliza o médico.
Amazônia Brasil em Nova York é a maior versão internacional da mostra, e já passou pela França (Paris), Suiça (Lausanne) e Alemanha (Bavária), Rio de Janeiro e São Paulo. Após a sua apresentação da cidade americana, a exposição segue para Tóquio, Mônaco e Holanda.

Saturday, June 28, 2008

Prévia do Brazilian Day anima os Novaiorquinos na Little Brazil


Photos by Ricardo Pimentel
Ao som de tibaus, agogôs e afoxé, a famosa rua 46 de Manhattan, mais conhecida como Little Brazil, recebeu algumas baianas essa semana em New York City. Foi uma prévia do que será mostrado no dia 30 de agosto na celebração mais esperada do ano pelos brasileiros, o Brazilian Day.
A organização do evento promoveu "A Lavagem da Rua 46". Várias baianas vestidas de branco dançaram com vasos cheios de flores na cabeça, cantando, derramando a água de cheiro na calçada e animando que passava pelo local.
Inspirado na tradição, misticismo, encanto, e religião, a limpeza da rua 46, repetiu o caráter religioso da Bahia com performances que se destinam a purificar e energizar com elementos naturais usados no movimento de apoio à paz e à unificação de todas as pessoas. Desde o século 18, a tradição da lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim é realizada todos os anos em Salvador. As filhas de santo jogam água benta e lavam as escadarias da igreja.
Em agosto, a organização pretende esticar o evento promovendo dois dias de festa. Além dos estandes de comida típica da cozinha nordestina como moquecas, acarajés, abarás e vatapá, haverá artesanato, pinturas e tudo o que a nordeste e o Brasil tem de bom.
A idéia da lavagem da rua 46 foi da artista baiana, Silvana Magda, que tem a intenção de manter viva a tradição brasileira em Nova York. “O Brazilian Day é realizado há 24 anos. E nos últimos 3 eu estou participando da organização. Eu sempre quis trazer um pouco da cultura do povo brasileiro que vive em NY e agora consegui. Vai ser muito bonito. As pessoas vão amar em ver um pouco da minha tão queria Bahia”, disse Silvana.
O final da abertura oficial do Brazilian Day será marcada com o corte da fita por João de Matos, responsável pelo evento, e pela madrinha da limpeza, que será uma convidada de honra cuja identidade será uma grande surpresa para o público.

Tuesday, June 24, 2008

Coldplay

Pessoal, tento não escrever coisas pessoais aqui, mas dessa vez não resisti!
Fui ontem ao show da banda inglesa Coldplay. O show foi sensacional! E olhe que eu nem era tão fã assim, mas depois do show virei fanzona.
O vocalista, Chris Martin tem uma presença de palco incrível. Super animado e tirando brincadeiras com o público o tempo inteiro. A produção, impecável! O show teve vários efeitos, como luzes coloridas, papel picado e bolas substituindo os tradicionais telões.
Mas o melhor de tudo isso é que fui de graça! É, não paguei nada para ver essa banda incrível. Foi uma promoção do Coldplay no site oficial. Era só se cadastrar e esperar para ser sorteado. E eu ganhei! O Madison Square Garden estava lotado e o fantástico era saber que ninguém ali pagou pelo ingresso.
Eles mostraram que gostam MUITO dos fãs. Primeiro por fazer o show de graça. Também porque duas passarelas foram colocadas ao lado do palco para que eles pudessem ficar mais perto do público. E por último o inacreditável momento: eles sairam andando pelo MSG e ficaram do outro lado da arquibancada, em frente ao palco, e cantaram uma música ali mesmo. Fiquei arrepiada. Foi emocionante!
Se tiver outro show, dessa vez eu faço questão de pagar. Vale muito à pena!

Wednesday, June 18, 2008

Fiquem atentos em NY



Para quem nunca visitou Nova York, é bom ler estas dicas básicas e imprescindíveis para conviver em harmonia com os americanos.
No Brasil não temos costume de dar gorjetas para nada. Mas aqui isso é quase lei. As pessoas não são obrigadas, mas dão por acharem que é justo. Num restaurante por exemplo a gorjeta não vem incluída na conta, até porque já existe a taxa de imposto que geralmente é uns 15% do valor. Para a gorjeta, chamada de “tip” você calcula em média 10 ou 15% do valor total, com a taxa incluída é claro!
Já fui em alguns restaurantes brasileiros e como sou muito curiosa perguntei a respeito do comportamento dos brasileiros. O gerente me respondeu que eles não costumam dar gorjetas, aí geralmente a gente já inclui na nota. Os brasileiros odeiam quando combramos pelo prato extra (um prato vazio) quando eles querem dividir alguma comida. É normal aqui, é justo e os americanos não reclamam. Afinal é mais uma pessoa para o garçon atender.
A tip deve ser dada também aos entregadores de pizza, taxistas (que geralmente ganham um dólar apenas por corrida) e nos caixas de supermercados ou lanchonetes. No começo, devo confessar que eu achava ruim, mas já me acostumei e hoje dou gorjeta com o maior prazer. Sei que a pessoa que está recebendo precisa muito mais do que eu.
Outra dica é ao subir as escadas rolantes. Como aqui tem sempre gente com pressa o lado esquerdo da escada precisa ficar livre para quem quiser subir mais rapidamente. E ai de quem ousar ficar parado do lado esquerdo. Com certeza vai ter alguém reclamando.
Ah, e cuidado ao comprar coisas em locais turisticos, geralmente elas são o triplo do preço cobrado normalmente. Isso vale desde o cachorro quente até a máquina fotográfica digital.

Friday, June 13, 2008

Alta dos combustiveis afeta brasileiros


Parar num posto de combustíveis nos Estados Unidos já não é mais tão simples quanto há alguns anos. Hoje o consumidor mais precavido tem que rodar bastante até encontrar um local com gasolina mais barata. O preço dos combustíveis tem subido assustadoramente. O valor do barril de petróleo bate recordes sucessivamente. Até algumas semanas atras, o índice histórico do produto nao passava de 120 dólares. Hoje, o preço gira em torno de 150 dólares por barril.
Esse aumento excessivo teve reflexo imediato no bolso dos motoristas e tem provocado mudanças de atitude entre os consumidores. O brasileiro Mulcy Tenório, que há quatro anos trocou Maceió pelos Estados Unidos, colocou seu carro à venda este mês. Aos 29 anos, trabalha como garçom em Manhattan tem na garagem um Audi A4 ano 2002, um modelo que dificilmente teria chances de comprar se ainda morasse no Brasil. Mas o sonho realizado se transformou num peso no orçamento.
Ele explica que apesar do aumento da gasolina não ter sido o fator decisivo para se desfazer do carro, está preocupado com o gasto que tem tido para abastecer o veículo. "A minha sorte e que não preciso do carro todos os dias. Afinal do jeito que a gasolina está aumentando o meu custo subiu demais e ninguém pode com isso", afirmou o brasileiro.
Alguns amigos dele também adotaram medidas para reduzir o impacto do preço da gasolina no bolso. Não enchem mais o tanque do carro e passaram a usar mais o transporte público. Mulcy considera inacreditável o preço que estão cobrando agora pelo combustível.
Lembra que antigamente conseguia encher o tanque do carro por menos de 20 dólares. "Quando cheguei aqui nos EUA, a gasolina custava pouco mais de 1 dólar e 60 cents. Hoje, o galão já está mais de 4 dolares. E eu já ouvi dizer que no verão vai subir ainda mais. Vai passar dos 5 dólares", disse ele.
O futuro incerto assusta os motoristas e virou tema de campanha dos candidatos a Presidência dos EUA. As propostas incluem até a suspensão dos impostos que incidem sobre os combustíveis para diminuir o valor cobrado pelos distribuidores. A escolha do novo presidente traz grandes expectativas e esperança para os que vivem em solo americano. Enquanto o preço nas bombas continua ascendente, cabe ao motorista o dever da pesquisa. Mulcy chama a atenção para a diferença de preço de um posto de combustíveis para outro. Vale a pena rodar um pouco mais, para ter a certeza de que está pagando menos pelo produto. O sonho do alagoano agora e outro. Em vez de ter um carrão de luxo na garagem, tudo o que ele mais quer e um veículo confortável, porém mais econômico.

Monday, June 9, 2008

Orgulho de ser nordestina

Por sugestão de uma leitora assídua do blog, resolvi complementar o texto abaixo com alguns nomes que me deixam orgulhosa por ter nascido no Nordeste do Brasil.
Portanto, seguem alguns ilustres nordestinos:
Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Gonçalves Dias, José de Alencar, Rui Barbosa, José Lins do Rego, Ariano Suassuna Luiz Gonzaga, Antônio Conselheiro, Ivete Sangalo, Vagner Moura, Tom Cavalcante, Lázaro Ramos, Paulo Gracindo, Vladimir Brichta, Gal Costa, Caetano Veloso, Chico Science, Gilberto Gil, e os alagoanos Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Arnon de Mello, Aurélio Buarque de Holanda, Jurista Pontes de Miranda, Marechal Floriano Peixoto, Marechal Deodoro da Fonseca, Senador Teotônio Vilela, Nise da Silveira, Zumbi dos Palmares, esportista Mário Jorge Lobo Zagallo, Djavan, Hermeto Paschoal e o Cineasta Cacá Diégues.
Pessoal é muita gente boa para lembrar da noite para o dia... é uma lista sem fim!

Friday, June 6, 2008

Amor à pátria


É de impressionar o patriotismo dos americanos. Em quase todas as casas existe uma bandeira do país na porta. E sempre que podem em eventos e celebrações eles levam o símbolo dos EUA com eles. Talvez o fato de ter muito imigrante faça com que eles queiram mostrar que aqui ainda é os EUA. Quem sabe!?
No Brasil não existe isso. Você só vê a bandeira verde amarela quando a seleção brasileira está em campo ou no dia da independência. Será que não amamos o nosso país com a mesma intensidade? Ou não somos estimulados a bater no peito e dizer: eu tenho orgulho de ser brasileiro!
Certo dia em São Paulo, ouvi de uma amiga: “é engraçado que vocês nordestinos sentem um orgulho de onde nasceram. Por aqui a gente não vê isso”. É, acho que sentimos mesmo. Pelo menos eu agradeço por ter nascido num estado tão rico em belezas naturais. Tão elogiado pelas suas praias e povo trabalhador e hospitaleiro. Sobre a pobreza, sem comentários. Esse não é um problema apenas de Alagoas ou do Nordeste, não é mesmo?

Ainda sobre o amor à pátria, eu mesma quando decidi morar fora do Brasil fui comprar chaveiro com a bandeira do país, havainas e até blusa do Brasil. E quando cheguei aqui me perguntei: Por que não fiz isso antes? Por que as pessoas só querem mostrar que são brasileiras quando estão fora do país? Por que não colocam bandeirinha do lado de fora de casa como os americanos? Tenho certeza que apesar de tudo de ruim que vem acontecendo, ainda tempos muitos motivos para se orgulhar da nossa terra natal.

Sunday, June 1, 2008

Sex and the City, o filme

Este fim de semana pude ver de perto a ansiedade das americanas por causa da estréia do filme Sex and the City, baseado na série de TV exibida pela HBO. Para quem nunca ouviu falar na série, ela retrata a vida de quatro amigas que vivem em Nova York. A história pode parecer superficial para alguns, mas muitas garotas já se imaginaram vivendo a vida de uma das personagens com os seus acessórios cor-de-rosa, salto alto e muito brilho. Afinal, qual é o garoto que nunca se viu no lugar do Indiana Jones ou até mesmo do astro de Guerra nas Estrelas hein?

Carrie (Sarah Jessica Parker), Miranda (Cynthia Nixon), Charlotte (Kristin Davis) e Samantha (Kim Cattrall), estão na telona mais maduras e retomam a história quatro anos depois que a série saiu do ar em 2004.
Fui convidada para uma “little party” antes de ir ao cinema na casa de uma amiga americana. Com direito a cup cakes, o famoso bolinho que é o verdadeiro vício do quarteto, e o Cosmopolitan, o coquetel que estrelas tomam frequentemente no programa de TV. Tanto o bolinho quanto o drink estão aprovados!
As amigas americanas estavam empolgadíssimas e contando os minutos para ir ao cinema. Elas contavam os detalhes das temporadas que assistiram e apostavam se a Carrie finalmente teria um final feliz com o Mr. Big. Mas isso eu não vou contar porque o filme ainda não chegou no Brasil ok?
O filme entra em cartaz nas cidades brasileiras no próximo dia seis de junho com diversos figurinos das marcas Chanel, Gucci, e dos famosos sapatos Manolo Blanik. Vários bares de Manhattan serviram de graça o tal drink às pessoas que foram à noite de estréia. E algumas lojas de Manhattan venderam roupas com o nome do filme e outras acessórios iguais aos usados pelas amigas durante os episódios da série.
Uma pesquisa online com mais de 10.000 espectadores que compraram ingressos para "Sex and the City" descobriu que 94% das pessoas eram mulheres, e que 67% planejavam ir ao cinema neste fim de semana com um grupo de amigas.
"Sex and the city", a versão cinematográfica, liderou neste fim de semana as bilheterias nos Estados Unidos e Canadá. As aventuras das nova-iorquinas Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte arrecadaram US$ 55,7 milhões, enquanto que o campeão da semana passada, "Indiana Jones e o reino do crânio de cristal", ficou em segundo lugar, com US$ 46 milhões, depois de arrecadar US$ 101 milhões em sua estréia.
O filme é bem divertido e parecido com os episódios da série. Vale a pena assistir e ouvir as mulheres suspirando, rindo e até chorando ao ver o tão esperado filme. Enjoy
girls!

Monday, May 26, 2008

A FÉ QUE ULTRAPASSA FRONTEIRAS

Viver longe do Brasil não é fácil, mas alguns imigrantes que moram nos EUA arrumaram uma maneira de amenizar a saudade. Foi por meio da fé que eles encontraram equilíbrio.
A brasileira Maristela Munhoz, de 47 anos, conta que quando chegou na América o objetivo era melhorar a situação financeira. “Aqui cada imigrante vem de um lugar diferente. Apesar de terem costumes e culturas diversas, todos vêm com o mesmo objetivo: ganhar o tão sonhado dólar. Mas rapidamente percebemos que a vida não é só ganhar dinheiro. Logo que cheguei entrei em depressão. Sentia muita falta dos parentes e amigos. Nunca havia me separado deles. Foi uma sensação muito ruim. Me agarrei na fé para não enlouquecer. Quando perdi meu irmão, em nenhum momento me senti só. Além da presença do meu marido, as pessoas da igreja me deram todo apoio que eu precisei. Quando ficamos tristes, tem sempre alguém para nos levantar. Se não fosse o meu envolvimento com a igreja católica e as amizades que conquistei, com certeza já teria voltado para o Brasil. A religião foi fundamental para que eu pudesse suportar esse vazio”, revelou Maristela.
Ela diz que foi muito bem acolhida pela Paróquia St. James, que fica em Newark, Estado de Nova Jersey. Por semana, são realizadas 4 missas em português. “É maravilhoso estar em outro país e participar das missas ouvindo o padre rezar no nosso idioma. Na igreja eu fiz vários amigos. Somos uma grande família. Passamos datas comemorativas juntos, como aniversários, Natal e Páscoa. Adoro o que faço, gosto de estar envolvida nas atividades da igreja. Aqui nos EUA nós participamos mais. Temos mais abertura. As coisas não são tão rígidas. O padre é como um amigo. Ele nos visita, participa da nossa vida, das nossas festas. Está sempre presente”, afirma a brasileira.
Maristela conta ainda que o que a faz se sentir especial é saber que todos procuram a igreja como um porto seguro. E é por causa da fé que todos se ajudam. “Todos nós somos iguais. Aqui não tem mais rico ou mais pobre. Não importa se tem green card ou não. Pode ser preto, branco, carioca, paulista ou mineiro. Somos todos filhos de Deus. Todos buscando a mesma paz”, finaliza.
A fé também se fortalece entre os imigrantes evangélicos. Em Nova York, o Pastor Luiz Roberto Paes, de 40 anos, explica que a realidade que se afronta à fé cristã evangélica na cidade, é a diversidade étnica religiosa. No Brasil, ele fazia parte da vida religiosa, mas apenas como líder de pequenos grupos dentro da igreja. Há 4 anos ele é pastor titular da igreja do Evangelho Quadrangular de Astoria, Temple of the Natios, em Nova York.
Segundo ele são vários motivos que levam os brasileiros a procurarem a igreja. E um deles é a saudade que sentem do Brasil. Mas ele explica que para que essa carência seja suprida é necessário que a igreja tenha estrutura espiritual e social para fazer trabalhos onde os participantes se sentirão mais amados. “Dessa forma o indivíduo expressará mais amor ao próximo e compartilhará de seus princípios e valores, diminuindo assim a dor pela distância de seus entes queridos.
André Saroba é evangélico, tem 41 anos e está há 16 em Nova York. Ele conta que passou a frenquentar mais a igreja depois que saiu do Brasil. Diz que raramente perde um culto e que vai à igreja todas quintas e domingos. “Sinto a presença de Deus quando congrego. É um sentimento muito especial”, diz André. Ele acha que os imigrantes que moram na América não têm tempo para ir à igreja. Segundo ele, estão todos em busca de dinheiro. Apesar disso ele concorda que a religião ameniza a falta da família. “Acho que o fato de frequentar a igreja diminui a saudade que eu sinto dos parentes, mas deixo todas as minhas ansiedades à disposição do senhor”, finaliza André.
A evangélica Rynara Ferreira, 38 anos, é baby sitter e mora há 19 na América. Atualmente reside em Lyndhurst, em New Jersey. A brasileira também ficou mais assídua na igreja depois que se mudou para os EUA. Ela conta que os cultos realizados são especiais porque o pastores se dedicam mais. E acha que os fiéis imigrantes são diferentes dos fiéis que estão no Brasil. “Talvez por serem mais solitários, eles são mais presentes nos cultos e até participam mais das atividades que a igreja promove. Segundo ela, é uma forma se sentirem mais protegidos. Rynara revela que foi em busca da religião para sentir mais a presença de Deus, apesar de achar que nada diminui a saudade que ela sente do Brasil.

Monday, May 19, 2008

Toda mulher merece um diamante


Depois de tudo que eu presenciei, tenho quase certeza de que as brasileiras após ler este texto vão dizer: porque eu não nasci nos EUA?

Estive em uma festa de noivado este mês em Nova York. A noiva era americana, mas o noivo brasileiro. Apesar da diferença na nacionalidade, tudo ocorreu conforme à tradição americana.

Aqui o casal não coloca aquele anel simples só de ouro na mão direita, como é de costume no Brasil. O noivo compra um anel de diamante, equivalente ao dobro do salário que ganha, e só a noiva usa aliança na mão esquerda. A mesma do casamento. Esse que vi desse ter sido uns oito mil dólares.

Curiosa, perguntei sobre a aliança de casamento e a noiva me disse que cada um compra a do outro e, que geralmente elas não são iguais. Essa parte eu não gostei! É muito mais romântico os dois usarem as alianças idênticas.

Os petiscos estavam uma delícia. E como já falei anteriormente, os americanos são muito práticos. Por isso os pratos e talheres eram de plástico. Apesar da simplicidade, eles eram dourados e cheios de estilo. Adorei pois dessa forma não é preciso ter o trabalho de lavar a louça depois.

Bom, voltando a parte romântica, é chegado o momento. O noivo chama a atenção de todos, pede para se aproximarem e começa o brinde agradecendo a todos presentes. O mais emocionante foi quando ele se ajoelhou, abriu a caixinha de veludo e disse: will you marry me? E ela bastante emocionada e tremendo disse: yes, I do!

Os que me conhecem melhor sabem que choro com facilidade e já devem imaginar o que aconteceu comigo! Rsrs.

Ah, já ia me esquecendo. Preciso comentar sobre a frieza do americano. Enquanto eu chorava de emoção, a mãe da noiva ao meu lado estava parada dando um sorrisinho bem sem graça. Parecia que o genro estava dizendo “bom dia” para a filha dela. Mas não achem que ea sogra não aprovou a união. No fim da festa soube que ela confessou que quase fez xixi nas calças de tanta emoção. Mas eles são assim, tão comedidos que às vezes parecem frios.

Friday, May 16, 2008

Oito ou oitenta

Já mencionei algumas vezes aqui sobre a boa educação dos americanos, mas ultimamente tenho percebido que não é bem assim. Notei que quando eles não são muito educados, a grosseria impera. É como se diz no Brasil: ou é oito ou é oitenta! Não existe meio termo. Pelo menos até agora não vi.
Fui comprar uns chocolates na loja do M&M's, que fica na Times Square e quando fui pagar a funcionária não estava em um dos seus melhores dias. A má vontade e a impaciência eram notórias. Cara amarrada e com semblante pesado ela me atendeu super mal.
Mas a ironia disso tudo está no nome da americana: Karisma. Que apesar de se chamar assim, ela de carismática não tinha nada! Rsrs.

Sunday, May 11, 2008

É possível comer salmão em NY por 99 cents

Existe uma loja em Manhattan chamada Jack’s World, onde no primeiro piso todos os produtos custam 99 cents. Nos andares de cima eles vendem maquiagem e produtos de beleza por 1,99 ou 2,99 dólares. E tem também eletrodomésticos e produtos mais sofisticados.
Em uma da minhas infinitas idas ao lugar, resolvi dar uma olhada nos congelados. E quase nem acreditei que achei salmão por menos de 1 dólar! Tudo bem que era só uma posta, mas resolvi comprar e arriscar.

Preparei apenas com azeite e alho. E para acompanhar legumes cozidos e um Gato Negro merlot. Combinação perfeita para uma noite de clima agradável em Nova York.

E nesse momento ao saborear o meu salmão, escrevo para vocês e afirmo: esse foi o salmão mais barato que eu comi na vida. E o melhor, está delicioso! I love Jack’s World! Rsrs.

Monday, May 5, 2008

Como fazer uma faxina na América?

Nos EUA não é comum ter empregada doméstica. As poucas que existem ganham uma fortuna e trabalham para milionários. Como não existe mão de obra fácil, o serviço é muito caro e nem todo mundo pode pagar. Conheço algumas pessoas que se deram bem por aqui com este serviço. E adoram porque a faxina daqui não é pesada como a do Brasil.
O americano é muito prático. Existem produtos e eletrodomésticos para tudo. Sabe aqueles lencinhos umedecidos de limpar o bumbum do nenêm? Aqui existem lencinhos similares para limpar o fogão, a banheira, os móveis, o piso, enfim, para cada cantinho da casa. Aspirador e máquina de lavar louça são produtos essenciais num lar americano.

Os produtos são mega, super, ultra eficientes. É só borrifar um pouco e passar um dos lencinhos que a sujeira já era. Tem uns tão fortes que você precisa abrir a janela para não ficar sufocada. Mas o bom de tudo isso é que você com certeza não vai ficar com calos nas mãos de tanto esfregar um determinado local.

Rôdo não existe. Sofri para achar um substituto. Acabei percebendo que o tal do escovão acaba fazendo o mesmo serviço, apesar de não ser melhor. Não sei se vou conseguir explicar, mas ele tem vários fios entrelaçados que substituem o rodo e o pano de chão. Que também é algo raro de se encontrar. Eu até hoje não encontrei!

E uma dica ainda relacionada com a higiene: se você encontrar aí no Brasil uma secadora de roupas, compre! É a melhor invenção do mundo. Você lava a roupa em meia hora, em seguida com mais 40 minutos mais ou menos você tem a roupa seca, quentinha, limpa e cheirosa em mãos. Isso salva muitas mulheres que não perceberam que a roupa que elas pretendiam usar a noite estava suja.

Thursday, May 1, 2008

Uma Verdade Inconveniente

Essa semana assisti o documentário “Uma verdade Inconveniente“, do político norte-americano e ex-vice presidente dos Estados Unidos da América Al Gore. O filme mostra como da emissão de poluentes e o mau uso dos recursos naturais têm influenciado para o aquecimento global.
Diz que os livros de ciências do Brasil vão ter que mudar. Pois fenômenos que cientistas afirmavam que nunca iriam ocorrer no país, estão acontecendo. Segundo ele dentro de aproximadamente dez anos muitas cidades não existirão mais. Ficarão alagadas depois do derretimento das geleiras.

Algumas sugestões são mostradas sobre como a população pode ajudar a melhorar o mundo. E ainda aponta alguns culpados pelo problema, como por exemplo o capitalismo e o acúmulo de riquezas. Relata também evidências de que a emissão de dióxido de carbono tem aumentado a tempratura da terra.

Uma Verdade Inconveniente aborda questões importantes sobre a produção de combustíveis fósseis. Relembra que o atual presidente do Estados Unidos da América, George W. Bush, não apoiou o protocolo de Quioto, justificando o alto valor que seria destinado. Dando como exemplo a Índia e a China, que não foram obrigados a aderir ao programa. E que eles são os maiores emissores de poluição depois dos EUA. O protocolo de Quioto é uma tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa do aquecimento global.

De acordo com Al Gore, os EUA produzem 25% do total de emissões de gases de efeito estufa, mas dispõem de capacidade tecnológica e institucional que permitiriam ao país encontrar a solução do problema. O político ressalta que a necessidade de combater o aquecimento global não é uma questão política, mas uma questão moral. Depois de 30 anos de pesquisa, Al Gore mostra que é possível reverter essa dramática situação sem causar um dano econômico grave para a sociedade.

Uma Verdade Inconveniente desperta a consciência para a iminência da extinção da raça humana, que até recentemente os cientistas só esperavam para os próximos milhares de anos. Mostra que a qualidade de nossa vida no planeta vai piorar.

Al Gore foi vice-presidente de Bill Clinton de 1993 a 2001, foi o negociador dos Estados Unidos para o protocolo de Kioto. Concluído em dezembro de 1997, entrou em vigor em fevereiro de 2005. Foi candidato à presidência dos EUA nas últimas eleições, mas “perdeu” para George W. Bush. Com o filme, Al Gore e o corpo de especialistas do painel intergovernamental de mudanças climáticas da ONU ganharam o Prêmio Nobel da Paz de 2007.


Depois de assistir ao documentário, dificilmente alguém vai dormir sem se perguntar o que pode fazer para salvar o planeta.

Tuesday, April 29, 2008

A água de NY

A maioria das pessoas sabe que a água aqui nos EUA é tratada e se pode tomar da torneira. Pelo menos aqui em NY.
Acho que muita gente já deve ter visto em filme como no “Separados pelo casamento”, onde o protagonista toma água da torneira da pia da cozinha.
Apesar da facilidade em beber o líquido, é comum encontrar nos supermercados os carrinhos lotados de garrafas de água mineral. Nas prateleiras das delis (delicatessen), farmácias e supermercados existem garrafas de todos os tamanhos e você ainda pode escolher a nacionalidade.
O único problema em beber a água direto da torneira é o cheiro forte de cloro. Em alguns lugares é realmente insuportável. Há uns meses fui “obrigada” a beber na casa de amigos. Não seria nada elegante reclamar ou recusar a água que te oferecem não é?

Thursday, April 24, 2008

Roberto Carlos no metrô

Você deve estar achando que eu encontrei o REI no metrô, mas não foi bem isso que aconteceu. Hoje ao desembacar numa das estações mais movimentadas de Nova York, ouvi de longe “Lady Laura”. A famosa música que o Rei Roberto Carlos compôs para a mãe dele.
Sai correndo acompanhando o som até achar o responsável. O que eu tinha em mente: uma nova pauta. Cheguei até pensar no título enquanto corria. “Brasileiro toca os sucessos do Rei em NY”, ou algo parecido.Enfim, encontrei o músico.

Ouvi um pouco a música, peguei o cd que estava no châo para vender. Vi tinham várias músicas do Roberto Carlos, mas ao perguntar: você é brasileiro? Veio a decepção... ele me disse: sou dominicano! Acreditem, um dominicano cantando músicas do nosso rei no metrô. Mesmo assim adorei ouvi-las!