Thursday, March 14, 2013

Serginho Groisman, Gusttavo Lima e Zeca Pagodinho são as atrações do Brazilian Day NY


 


A festa brasileira que dá a volta ao mundo chega em Nova York no dia 1o de setembro, com a 29a edição do Brazilian Day na cidade. Serginho Groisman apresenta o evento que reunirá pela primeira vez no palco da 6a Avenida,  Zeca Pagodinho e Gusttavo Lima. O mineiro Gusttavo Lima levará para o evento seus hits de sucesso e antecipa: “Eu e Zeca estamos praticamente de malas prontas e já estamos preparando o repertório. Será um show muito especial”. Considerado um dos maiores nomes do samba, Zeca Pagodinho, fala sobre a emoção de cantar para a comunidade brasileira que vive fora do país. “Será como se eu fosse fazer um show no Brasil. Mais de um milhão de corações cantando juntos... Estou ansioso”, diz. Além de Nova York,  a festa brasileira que dá a volta ao mundo este ano passará por outras quatro cidades: Lisboa, Tóquio, Toronto e Luanda. O Brazilian Day Nova York acontece na 6a avenida, próximo à Rua 46, também conhecida como a “Rua dos Brasileiros”.  A festa foi crescendo a cada nova edição e hoje abrange 25 blocos da cidade e atrai mais de 1 milhão de pessoas de diferentes cidades dos Estados Unidos e de outros países. O evento é produzido por João de Matos, o canal internacional da Globo e o jornal The Brasilians.  






Foto 1: Zeca Pagodinho
Crédito: Guto Costa/ Divulgação
Foto 2: Gusttavo Lima
Crédito: André Moreira/ Divulgação
Foto 3: João de Matos
Crédito: Martha Sachser

Friday, July 6, 2012

“A Serpente” de Nelson Rodrigues



By Carla Portella

          Você emprestaria o seu marido a sua irmã por uma noite?
          Comemorando o centenário de Nelson Rodrigues, a companhia GROUP.BR traz a Manhattan a última peça do autor. Envolvente e sedutora como todas as obras de Rodrigues, A SERPENTE promete movimentar a Big Apple entre os dias 12 e 15 de julho, no teatro LATEA em downtown. Serão 5 apresentações em português com legenda em inglês.
          A história se passa no Rio de Janeiro, dois casais moram na mesma casa, Ligia e Guida são irmãs. O casamento de Ligia e Décio não vai bem, enquanto Guida e Paulo vivem em eterna lua de mel. Ligia frustrada e infeliz, pensa em se matar, até que sua irmã Guida a impede e lhe propõe uma noite com seu próprio marido...
          Andressa Furletti, Mônica Steuer, Thiago Felix, Modesto Lacen, e Débora Balardini prometem deliciosamente trazer o melhor da arte e da cultura brasileira ao palco. Venha conferir!!!
Teatro LATEA – Clemente Soto Velez Cultural and Educational Center
107 Suffolk Street, 2nd floor, NY 10002 – Ingressos US$ 20.
Dias 12 e 13 de Julho as 8pm.
14 de Julho as 3pm e 8pm.
15 de Julho as 3pm.
          Para outras  informações www.GROUP.BR.COM

Sunday, April 22, 2012

Cartão de agradecimento

O primeiro thank you card (cartão de agradecimento) que recebi foi depois de uma ida minha a um aniversário. Lembro como fiquei surpresa em receber o cartãozinho com a foto do bebê e a mãe dizendo o quanto gostou do presente que eu dei. Havia detalhes como a criança tinha adorando o briquedo e a descrição de qual era o tal. Fiquei impressionada! Como a mãe poderia lembrar quem deu cada coisa? Mais aos poucos fui aprendendo como se faz. E acho que até já comentei em outro post que acabei ficando mais educada depois que me mudei para Nova York. Tem coisa mais delicada e atenciosa do que receber um cartãozinho com um simples "obrigado pela presença", "obrigada por ter tornado a minha festa mais especial", "obrigado pelo lindo presente", "Foi muito generoso da sua parte"? São inúmeras as formas de agradecer. Tem cartão que tem a foto do aniversariante, dos noivos, do bebê que foi batizado. Outros mais simples que encontramos em qualquer livraria ou farmárcia. No fim, não importa se é mais bonito, mais caprichado. O que vale é o sentimento e a disponibilidade que a pessoa dedica em escrever cada cartão personalizado para cada um dos convidados. Hoje em dia eu já sou craque no negócio! Em menos de 10 dias as pessoas recebem o meu thank you card. Só preciso descobrir um jeito de não ter tendinite da próxima vez ;)

Wednesday, April 18, 2012

O Português nosso de cada dia


Em 2006 a paulista Felícia Jennings-Winterle mudou-se para Nova York trazendo um currículo rico na bagagem. A brasileira é professora de Educação Artística, especialista em Educação Psicomotora, musicalização, arte-educação e também Mestre em Educação Musical com ênfase em Cognição pela New York University, onde estudou com grandes educadores como o Dr. David Elliott e o Dr. Howard Gardner. Três anos depois, ela fundou a Escola Ciranda Cirandinhas que hoje é parte da Brasil em Mente (BEM). Além disso, Felícia coordenada as aulas do projeto Brasileirinhos em parceria com o Consulado Brasileiro de Nova York desde 2009.  Como o nome já diz, o objetivo da organização é imprimir o Brasil na mente dos que vivem nos Estados Unidos.

Por que uma escola brasileira em NY?

Por que o Brasil nunca saiu da minha cabeça. Percebi que como educadora eu seria uma profissional melhor na minha língua e com minha cultura.

O que é a BEM? E como surgiu a idéia de criá-la?

A Ciranda veio antes, como escola de música e Português, mas percebi que aquilo não era suficiente. Era preciso se criar um contexto. Na escola é primordial ouvir os pais. Saber suas experiências, dúvidas, filosofias. Foi assim que a organização cultural BEM nasceu. Com a Brasil em Mente fica mais fácil educar brasileirinhos. Também vale a pena ressaltar sobre a nossa  biblioteca infanto-juvenil Patrícia Almeida  com 500 livros, um serviço de apoio aos pais nas questões da educação bilíngue, produção de material educativo e promoção de eventos.


Como as pessoas podem se associar à biblioteca?
A pessoa pode vir até a nossa sede que fica em Midtown, Manhattan, e em breve pelo site. Em 3 semanas comemoraremos o aniversário de 1 ano da biblioteca e com isso lançaremos um serviço de envio de livros pelo correio, que pode beneficiar a comunidade brasileira espalhada pelos EUA.

E a Ciranda Cirandinha? Fale um pouco sobre a escola?
A escola conta com programas durante todo o ano, de pré-escola, extracurriculares e para mamães e bebês. Música, dança e muita cultura são o fio condutor desse trabalho. O foco da organização, e obviamente da escola, é a família.

Crianças a partir de que idade podem fazer parte da escola?
A partir de 6 meses na musicalização e de 2 anos na pré escola. Além disso temos aulas de português para os adultos.

Qual o próximo grande evento que a BEM está organizando?
Estamos sempre promovendo eventos culturais, como festas brasileiras. O próximo será a festa de aniversário da biblioteca agora em Maio. E um grande lançamento em Junho que ainda é segredo. Será uma ótima surpresa!

O seu trabalho é muito bonito e ajuda aos pais brasileiros a manter a língua portuguesa viva dentro de casa. Como é fazer parte desse trabalho?
É muito empolgante e gratificante ser parceira dos pais nesse processo de educar uma criança bilíngue. Fico muito orgulhosa com o crescimento de todos os brasileirinhos. A comunidade ajuda de várias formas. Desde as mães que contribuem com seus talentos, até profissionais do ramo do marketing, autores, artistas, e do consulado de NY.

Qual seu maior desafio?
O maior desafio é a rotina ocupada das famílias. Além disso, lutamos com a divulgação do trabalho para que mais famílias se sintam inspiradas e se empenhem nessa causa.

Projetos futuros?
Nosso maior projeto é expandir nossos trabalhos de maneira que muitos e muitos brasileirinhos se beneficiem. Queremos que estas crianças tenham a oportunidade de conhecer um Brasil cheio de descobertas, de riquezas naturais, histórias e aventuras, e que elas possam se orgulhar da herança brasileira.

Mais informações sobre o trabalho da brasileira Felícia Jennings-Winterle no site http://brasilemmente.com ou na sede da escola 2W 47th st Ste 507, New York, NY, 10036. Phone: 347 8939634/ Email:ciranda@brasilemmente.org

Por onde andam os jornalistas Cesar Augusto e Luciana DeMichelli?





Os ex-apresentadores do programa Planeta Brasil, da Globo Internacional contam como está sendo morar longe do Brasil e o que a experiência tem trazido para o casal. Há nove anos morando nos Estados Unidos, os jornalistas Cesar Augusto e Luciana DeMichelli trazem uma bagagem cheia de aventuras, experiências inesquecíveis e bons frutos. 

Por onde anda o casal que iniciou o programa Planeta Brasil*?
Cesar Augusto e Luciana DeMichelli- O casal continua por aqui, nos Estados Unidos. Assim como muitos personagens do Planeta Brasil, nós viemos para ficar um ano e estamos até hoje. A conhecida história de oportunidades, segurança, organização do país e etc. nos fez ficar por aqui.

Como foi a experiência do casal que viajou esse país inteiro conhecendo as histórias dos Brasileiros? 
Maravilhosa! Fizemos grandes amigos, aprendemos muito e hoje usamos as várias dicas que recebemos para deixar a vida aqui mais fácil.

Vocês ficaram quantos anos a frente do programa? E saíram por quê?
Foram cinco anos fazendo o Planeta Brasil. De 2003 a 2008. A experiência foi muito boa, mas com a chegada do Arthur, nosso filho, resolvemos mudar um pouquinho o rumo da nossa estrada. Acreditamos e, continuamos acreditando, que o programa merece 100% de dedicação e carinho. Claro, com a chegada do baby, isso não seria possível. Viajamos muito, por vários países, e seria praticamente impossível manter a mesma qualidade nas reportagens. Foi uma decisão difícil, até porque, ainda hoje temos muita saudade de trabalhar no programa.

O que vocês fazem hoje?
A primeira decisão foi deixar de fazer o programa. A segunda, saber o que iríamos fazer. Como viemos de uma área de comunicação, resolvemos trabalhar com isso na B2 Conteúdo. A empresa é uma agência/produtora multicultural, especializada na comunidade brasileira. A B2 trabalha na área de comunicação, fazendo reportagens, assessoria de imprensa, documentários, campanhas publicitárias, tudo o que se refere a conteúdo para mídia.

Por que decidiram ficar aqui nos EUA?
A gente se faz essa pergunta todos os dias. E, sinceramente, ainda não temos a resposta. Todo mundo que está longe do Brasil pode nos ajudar a responder essa questão. Aqui acabou sendo nosso escritório, mas nossa casa continua sendo o Brasil.



O que marcou a carreira de vocês enquanto fazia parte do Planeta Brasil?  Algo engraçado?
Mil histórias engraçadas. Uma delas aconteceu com o ex-presidente Lula. Ele veio dar uma palestra para os imigrantes em Nova York. Nossa missão era entrevistá-lo e saber o que ele faria pelos brasileiros que estavam fora do Brasil. Pois bem, o assessor de imprensa já tinha avisado que não teríamos nenhum minuto com o presidente. Inconformados, não desistimos. Assim que acabou a palestra, nos juntamos ao pessoal que queria tirar foto com o presidente. Quando nos aproximamos dele para a “tal” foto, falamos no ouvido presidencial: Lula, todo mundo aqui deixou o Brasil com a esperança de um dia voltar ao país… não queremos a foto e sim uma entrevista com o senhor para falar sobre isso. Ele não teve saída e falou ao Planeta Brasil.

Além de vocês serem uma dupla de sucesso no trabalho, na vida pessoal bons frutos já estão aí para comprovar. Falem um pouco para os nossos leitores.
Podem nos chamar de babões. Somos mesmo! O Arthur (5 anos) e a Cora (1 ano) são nossas melhores reportagens! Duas criaturinhas fantásticas. Nos fazem rir, se a vontade é chorar. E dançar, quando a vontade é ficar parado. São eles que movem nossas vidas. E se for para mudar o rumo da história de novo, é só apontar o caminho…seguiremos em frente!

*Para os que moram no Brasil, Planeta Brasil é um programa feito pela Globo internacional sobre os imigrantes brasileiros espalhados pelo o mundo. Portanto, só é exibido na Globo Internacional, ou seja, quem está no Brasil consegue assistir.


Saturday, November 19, 2011

II Encontro de Familias Multiculturais que falam Português, a lingua de herança



II Encontro de Familias Multiculturais que falam Português, a lingua de herança: 20 de Novembro, das 10 -1  da tarde.
O Espaço Família, divisão da BEM que promove discussão, palestras e recursos aos pais e avós interessados no bilinguismo, apresenta o II Encontro de Familias Multiculturais que Falam Português. Em continuação ao sucesso do I˚ Encontro realizado em Maio deste ano, que contou com a participação das terapêutas Martha Scodro e Maria Romani e da profa. Felicia Jennings-Winterle, uma mesa de mães composta por Fabiana Saba, Bela Gil, Paula Homor, Jussara Korngold e Patricia Almeida, além de um video mandado por Gilberto Gil, o II encontro tratará do Português como língua de herança.
Neste evento, os palestrantes serão as terapêutas de família Martha Scodro e Malu Palma, a psicopedagoga Sharon Thomas e a profa. Danielle Berna, que em forma de bate papo com a platéia discutirão como a língua de herança tem implicações no futuro, como forma de enriquecimento cultural e intelectual, mas também no presente, como estreitadora de laços familiares.
Você não pode perder esta discussão super cabeça.

Atividades e serviços envolvidos: Palestra para adultos, atividades paralelas para crianças em um segundo espaço, incluindo brinquedoteca, capoeira e contação de histórias, e cafá da manhã brasileiro para toda a família, oferecido pela Purpurina Parties. Tradução simultânea para os que não falam Português.

Investimento: $35 por adulto, $60 por casal, $10 por criança. Inscrições pelo site: www.cirandacirandinhas.com


Feira do Talento Brasileiro - 3 e 4 de Dezembro, Incrições para exposição até 20 de Novembro
Com o objetivo de promover networking entre a comunidade brasileira e oferecer um espaço para que o profissional de pequeno e médio porte possa expor e vender seus produtos, a organização BEM promove a Feira do Talento Brasileiro.
Nesta, o expositor terá dois dias em Dezembro para vender seus produtos em um local privilegiado no centro de Manhattan e em uma época garantida para o sucesso - fim de ano. O evento será grandemente anunciado na mídia local e no Brasil. Cada expositor paga $90 para obter toda a estrutura de sua loja, incluindo pagamentos em cartão de crédito, mesa, display de marca, e contribui com 20% de suas vendas para os projetos educacionais da organização (Escola Ciranda Cirandinhas). As inscrições se encerram dia 20 e Novembro e a feira acontece nos dias 3 e 4 de Dezembro, das 10 - 4 da tarde.
A feira será uma ótima opção para suas compras de fim de ano. Não perca!

Tuesday, September 13, 2011

Maestro João Carlos Martins em Nova York e Flórida


Momento mágico
História e cultura vão se misturar no palco quando os primeiros acordes forem ouvidos no Broward Center (FL), na noite do dia 22 de setembro, e no Lincoln Center (NY), dia 25. Esses acordes terão a regência do maestro João Carlos Martins, o que torna qualquer evento mais emocionante e especial. Um atrativo dessa vez é o encontro ousado da música clássica com o samba. Na segunda parte dos concertos, a Bachiana Filarmônica SESI-SP vai se apresentar junto a integrantes da bateria da escola de Samba Vai-Vai.
A Vai-Vai é a atual campeã do carnaval de São Paulo e conquistou seu 14º título, em 2011, com o enredo, “A Música Venceu”, que homenageou João Carlos Martins. Homenagens, por sinal, fazem parte da rotina do maestro. Ele já contou sua história no último capítulo da novela “Viver a Vida”, da TV Globo, e teve sua vida registrada por um cineasta alemão, em um documentário chamado “A Paixão Segundo Martins”.  Homenagens futuras também já estão programadas. Devem ser iniciadas em breve as gravações de um filme (produção americana/brasileira), com a direção de Bruno Barreto, sobre João Carlos Martins. Rodrigo Santoro vai interpretar o maestro.
Lição de vida
João Carlos Martins merece todas as homenagens por tudo o que representa para a música e por sua história de vida. Hoje ele realiza um projeto de popularização da música clássica e de inclusão social por meio da formação musical de jovens carentes, mas não foi fácil a caminhada até aqui. No início, a inspiração foi o pai dele,  que adorava música e teve a mão direita decepada na prensa da gráfica em que trabalhava. O acidente aconteceu 3 dias antes da que seria sua primeira aula de piano. Para realizar o sonho do pai, o jovem João Carlos começou a tocar o instrumento. Aplicado, ele chegou a ser considerado o melhor interprete do mundo do compositor alemão Johann Sebastian Bach.
Vários acontecimentos poderiam ter afastado João Carlos Martins de sua grande paixão, mas, como cantou a Vai-Vai, “A Música Venceu”.
Ninguém melhor do que o próprio maestro para descrever tudo o que passou e teve que superar.
“Eu começo meus estudos de piano com 8 anos de idade.
Aos 13 anos iniciei minha carreira nacional.
Aos 18 anos, minha carreira internacional.
Mass aos 26 anos, numa queda (jogando futebol), eu perdi a mobilidade dos dedos.
Então, eu percebi que se eu não usasse, praticamente, o quarto dedo da minha mão direira, eu conseguia recuperar a velocidade.
Depois de 7 anos, de volta, eu comecei a sentir a Síndrome dos Movimentos Repetitivos. Eu tive que me afastar da música novamente.
Voltei a estudar, voltei a me aperfeiçoar e a vida dos sonhos volta.
Mas, saindo de um teatro, sou assaltado. Me bateram com uma barra de ferro na cabeça e todo meu lado direito ficou comprometido.
Um ano depois, eu estava fazendo as tais 21 notas por segundo e volto ao Carnegie Hall, em Nova York.
Infelizmente, após 2 anos, os médicos me chamam em Miami e falam:
“ Nós vamos ter que cortar um nervo da sua mão e você nunca mais vai tocar piano.” Começo uma carreira com a mão esquerda.
Um tumor também eliminou minha mão esquerda.
Formei a minha Bachiana Jovem, a minha Bachiana Filarmônica – as duas agora estão uma orquestra única.
Eu levei a minha Bachiana para o Carnegie Hall, em NY, e começo o Hino Nacional. Quando acabou o hino, que eu viro para a platéia e vejo, lá em cima, as bandeiras do Brasil. Eu agradeci a Deus e ao fato de ser brasileiro e de estar conseguindo fazer música e levar música até o fim da minha vida."
O próximo capítulo dessa história de superação vai poder ser visto no Broward Center, na noite do dia 22, e no Lincoln Center, dia 25.
Apresentações
O maestro João Carlos Martins, sua orquestra Bachiana Filarmônica SESI SP e integrantes da escola de samba Vai-Vai, se apresentam juntos, em um encontro histórico, no Broward Center, em Fort Lauderdale, e no Lincoln Center, em Nova York
Na Flórida, o concerto vai ser no dia 22 de setembro, as 8pm. Os ingressos custam US$ 20.00 e podem ser comprados pelo telefone (954) 462-0222 begin_of_the_skype_highlighting            (954) 462-0222      end_of_the_skype_highlighting ou no site www.browardcenter.org
Em Nova York, no dia 25, o preço é o mesmo e espetáculo começa as 6pm. Ingressos para o Lincoln Center são encontrados nowww.lincolncenter.org ou pelo telefone (212) 721-6500 begin_of_the_skype_highlighting            (212) 721-6500      end_of_the_skype_highlighting.
É, sem dúvida, uma oportunidade acessível para se viver um momento especial e inesquecível.

Sunday, September 11, 2011

O dia que os americanos nunca esquecerão


*Fotos Mariana Cruso 









11 de setembro de 2001 - Eu morava no Brasil e estava dormindo quando escutei os gritos do meu irmão. “Caramba, um avião acabou de bater em uma das torres do World Trade Center em Nova York”. Sai correndo para ver o que estava acontecendo. Logo em seguida o segundo avião. E ele: “É atentado, é atentado”. Ficamos chocados. Até hoje eu não consigo acreditar quando vejo as imagens. Parece cena de filme de ficção. Achei que todo o horror que vi pela televisão era o suficiente para descrever aquela tragédia. Mas aqui o sentimento é infinitamente pior. Quando cheguei em Nova York uma das primeiras coisas que fiz foi visitar o local onde ficavam as torres gêmeas. Fiquei arrepiada ao chegar lá. Até hoje fico quando passo por perto ou escuto algum relato de parentes que perderam entes queridos. Milhares de fotos, cartas, velas e um cenário de destruição. Segundo relatos, há exatamente 10 anos o dia estava lindo. Céu azul, clima perfeito da primavera novaiorquina.
Entrevistei várias brasileiras que moram em Nova York, bombeiros e americanos que perderam familiares. Li várias revistas com diferentes relatos, assisti quase que diariamente documentários sobre aquele dia que o mundo quer esquecer. É triste ouvir as crianças que não conheceram os pais porque ainda estavam na barriga das mães. A única lembrança que eles têm são fotos e vídeos dos que já se foram. Até o meu marido foi entrevistado por mim. Ele é novaiorquino e foi voluntário ajudando as vítimas. Ele estava de férias quando aconteceu o ataque e decidiu se voluntariar doando sangue. Mas eles já tinham sangue o suficiente estocado e pediram para ele ajudar no transporte. Ele levava comida, transportava os médicos de um lugar para o outro. “Apesar de não terem achado muitas vítimas nos escombros, eles precisam dos médicos no local para cuidar dos que estavam na busca por sobreviventes. No dia do atentado, abriram as pontes após meia noite. Só tinha o meu carro na ponte. Parecia uma cidade fantasma. Nunca vi Nova York tão vazia na minha vida. Passei duas semanas vendo pedaços de corpos, pessoas desesperadas a procura dos parentes com cartazes com fotos. Apesar de tudo que presenciei, não sinto medo. Não acho que haverá outro ataque terrorista desse nível e também não tenho pretensão em me mudar para outra cidade dos Estados Unidos. Não podemos deixar que essa tragédia afete as nossas vidas a ponto de viver com medo”, relata Michael McGovern.
Na manhã daquele dia, a brasileira Christiane Valle por pouco não estava em uma das torres na hora do acidente. “Eu tinha que pagar uma conta lá, mas decidi fazer um café da manhã especial para o meu pai que estava voltando para o Brasil naquela noite. Fui até o supermercado e foi quando vi o que estava acontecendo pela TV. Sai correndo para buscar o meu filho na escola mesmo sabendo que ordem era deixá-lo lá por ser mais seguro. Briguei e consegui tirá-lo de lá. Na volta para casa, ouvimos gritos em forma de coral das muitas pessoas que estavam nos telhados dos prédios e tomamos conhecimento da queda da segunda torre.Estive em algumas vigílias com velas e encontros silenciosos com centenas de pessoas. Olha, tudo foi terrível e triste mesmo. O medo imperava e as pessoas estavam muito perdidas. Era uma energia estranha. Certamente esse episódio marcou minha vida e dos que estavam ao meu lado de forma bastante traumática. Contudo, sou da turma que acha que uma violência não justifica a outra. Acredito que é quebrando-se esse ciclo de violências que caminharemos para a paz. Por isso, não comemorei a morte de Bin Laden. Não acredito em vingança como meio de redenção. MariLiza Backstrom conta que quando chegou ao trabalho que era perto da torres, teve que sair correndo. “Eu estava aqui e vivenciei tudo! Um Horror! Vi a primeira torre desabando na minha frente! Parecia o fim do mundo! Não sabia o que estava acontecendo. Estava sozinha, sem comunicação, sem saber pra onde ir, mas continuava correndo e chorando feito louca com centenas de pessoas. Foi um verdadeiro horror. Mas graças a Deus, conseguir escapar”, diz a brasileira.
A ex-modelo e ex-apresentadora Fabiana Saba Sutton, também estava em Nova York quando tudo aconteceu. “Foi realmente horrível. Eu estava dormindo quando ele me ligou. Ele estava muito nervoso e pediu para que eu ligasse a TV. Ele me disse que viu da janela do escritório um avião bater na torre. Então vi que tinha entrado um avião na torre, mas ninguém sabia o porque. Logo depois entrou o segundo e a ligação foi desconectada. Fiquei desesperada pois não sabia quão perto ele estava, e nem o que estava acontecendo. Fiquei com medo. E se fosse uma guerra? Eu estava no apartamento do meu marido, então namorado, e era no 39th  andar e mesmo sendo no Upper East side dava pra ver a fumaça saindo das Torres. Aliás, por dias se viu aquela nuvem cinza da minha janela. Espero que as famílias das vítimas encontrem paz. “E o que era para nos deixar mais fracos, só nos deu força, pois nos tornou mais humanos”, conta Fabiana. Carol Guedes conta que ao sair de casa tomou um susto. “Todo mundo na rua olhando em uma mesma direção. Quando vi as duas torres já estavam em chamas. Escutei na rua dizendo que tinha sido um avião que bateu na torres. Minha primeira reação foi pensar gente que piloto sem noção. E pior o segundo avião que foi de alguma forma ajudar, também teria se atrapalhado. Mas estando nos EUA, pensei que apesar de tudo em poucos dias eles arrumariam os prédios e tudo estaria bem. Não fazia idéia da dimensão do que estava presenciando. Como uma boa turista sempre estava com a minha máquina, e decidi tirar umas fotos das torres, e foi quando vi pela câmera a primeira torre caindo. Não sabia, mas registrei exatamente o momento da queda. Nesse momento estremeci e pensei: meu Deus o que esta acontecendo? O que estou fazendo aqui? Quando a segunda torre caiu escutei um novo ohhhhh das pessoas na rua sem saber o que estava acontecendo”, afirma.


Relembrando o fato
19 terroristas da Al-Qaeda seqüestraram quatro aviões comerciais. Dois bateram nas torres gêmeas em Nova York. O terceiro atingiu o pentágono em Washington. E a quarta aeronave caiu em um campo na Pensilvânia por causa dos tripulantes que lutaram contra os seqüestradores. Quase três mil pessoas morreram.  A brasileira Sandra Fajardo Smith, que morreu na Torre Norte do World Trade Center durante os ataques do 11 de Setembro de 2001. Juntamente com a mineira de 37 anos, o governo brasileiro reconhece como vítimas dos atentados os paulistanos Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa, de 30 anos, e Anne Marie Sallerin Ferreira, de 29 anos, que eram colegas de trabalho no Banco Cantor Fitzgerald, no 105º andar da Torre Norte. A morte do capixaba Nilton Albuquerque Fernão Cunha não consta na lista oficial do consulado brasileiro nem da prefeitura de Nova York porque, segundo o Itamaraty, a família não enviou amostras de DNA para confirmar sua identidade. Os Estados Unidos responderam aos ataques com o lançamento da Guerra ao Terror: o país invadiu o Afeganistão para derrubar oTaliban, que abrigou os terroristas da Al-Qaeda. Algumas bolsas de valores estadunidenses ficaram fechadas no resto da semana seguinte ao ataque e registraram enormes prejuízos ao reabrir, especialmente nas indústrias aérea e de seguro. O desaparecimento de bilhões de dólares em escritórios destruídos causaram sérios danos à economia de Lower Manhattan, Nova Iorque. Os danos no Pentágono foram reparados em um ano, e o Memorial do Pentágono foi construído ao lado do prédio. O processo de reconstrução foi iniciado no local do World Trade Center. Em 2006, uma nova torre de escritórios foi concluída no local, a  World Trade Center. A torre 1 World Trade Center está em construção no local e, com 541 metros de altura após sua conclusão, em 2013, se tornará um dos edifícios mais altos da América do Norte. Mais três torres foram inicialmente previstas para serem construídas entre 2007 e 2012 no local das antigas Torres Gêmeas. O Memorial Nacional do Voo 93 começou a ser construído 8 de novembro de2009 e a primeira fase de construção é esperada para estar concluída no 10º aniversário dos atentados de 11 de setembro, em 2011. E as novas torres que estão sendo construídas são consideradas os prédios mais seguros dos Estados Unidos.


Empire State of Mind NY Commercial - StateFarm - 9 /11 New York @djtek


Dez anos da tragédia que marcou o mundo



Faço parte de um grupo no Facebook chamado “brasileiras em Nova York”. Coloquei um post lá pedindo depoimentos das pessoas que estavam aqui em 11 de setembro de 2001. Foi uma surpresa enorme receber mais de 70 comentários, pessoas me ligando, mandando emails. Ouvi histórias incríveis que me ajudaram a dar entrevistas ao vivo direto de Nova York para diversas cidades do Brasil. Depois de um dos comentários, resolvi publicar os relatos. Mais uma vez, agradeço a todas que descreveram esse momento tão doloroso que todos por aqui querem esquecer.


Carla Cavellucci Landi - esses depoimentos deveriam estar publicados, até como forma de conscientização para os que falam "bem-feito" lá no nosso país... tenho certeza que nenhum lugar tem tantos depoimentos dessa natureza em português.


Christiane Valle. - Eu morava na Avenida D com 8th street, mais ou menos umas 3 milhas do World Trade Center. De minha janela eu via uma pontinha das torres, mas assisti tudo pela TV mesmo. No dia, acordei cedo, como de costume, para levar meu filho, então com 9 anos, para a escola. Eu tinha planos de ir pegar um pagamento que me deviam num escritório localizado em um dos prédios do complexo World Trade Center, mas mudei de idéia no caminho de volta para casa. Resolvi parar no mercado e comprar ingredientes para preparar um bom café da manhã para meu pai que estava de visita e retornaria ao Brasil naquela noite. Enquanto pagava a compra vimos, eu e a caixa, anúncio na TV de um acidente de avião naquela região. Corri para casa para me inteirar das notícias e, com horror, vi na televisão que, na verdade tratava-se de um avião grande, de carreira. Eu e minha irmã assistíamos a TV chocadas, mas até o ponto da batida do segundo avião na outra torre, a TV anunciava um acidente. De repente, notamos fumaça na segunda torre e no minuto seguinte o repórter da TV gritou: AMERICA IS UNDER ATTACK e daí começou o terror. Imediatamente liguei para meu marido, na época meu namorado, sabendo que ele passava pela estação de metrô localizada no World Trade Center, mais ou menos naquele horário. Por muita sorte, ele chegou lá antes que as torres caíssem e saiu ileso, mas não escapou de responder aos chamados de resgate, já que era policial da NYPD e isso o afetou para o resto da vida. A TV anunciava que para a segurança das crianças os pais não fossem buscá-las nas escolas públicas porque as mesmas não seriam liberadas. Comecei a me desesperar. Ficamos eu, meu pai e irmã em casa aterrorizados, esperando ataques aéreos a qualquer minuto (era isso que se temia) e sem saber o que fazer. Quando a primeira torre caiu, coisa mais surreal, meu Deus, eu e papai decidimos que iríamos buscar meu filho na escola à despeito das orientações da cidade. Fomos pela rua enfumaçada, correndo com outros pais que saíam desesperados em busca de seus filhos. Na escola tivemos alguma dificuldade, bate-boca para retirarmos as crianças, mas graças a Deus peguei meu filho e voltei para casa, certa de que as coisas iam piorar dali para frente. No caminho de volta para casa ouvimos gritos em forma de coral das muitas pessoas que estavam nos telhados dos prédios e tomamos conhecimento da queda da segunda torre. Um horror. Minha rua era a última antes do East River no lado leste e foi feita de rota de escape para as vítimas que seguiam a pé e também serviu para o alinhamento dos MUITOS, MUITOS MESMO carros de resgate e caminhões de recolhimento de entulho. Uma loucura assistir isso da janela. Um mar de gente coberta de poeira de cor estranha andando pela rua. O pó e o cheiro demoraram pelo menos uma semana para diminuir. A cidade fechou as ruas e bairros abaixo da rua 14. Todos os moradores daquela região precisavam apresentar identificação para circular perto de casa. Durante muitos dias a cidade viveu em estado de alerta, sempre com ameaças de possíveis novos ataques. Me lembro que uns dias depois estávamos eu e meu pai indo ao Consulado Brasileiro para tentar informações mais precisas de quando ele poderia voltar ao Brasil e o prédio da Time Warner tinha acabado de ser evacuado. Houve uma histeria popular que levou a uma correria louca de um lado para o outro e nós, perdidos naquela situação começamos a correr contra a corrente. Por fim, paramos olhamos um para o outro e voltamos a correr na direção oposta!! Hoje damos gargalhadas desse episódio específico, mas na hora, só desespero. Nunca vou esquecer os muros com fotos, descrições e anúncios de "Procura-se" (Missing Person). Era muuuuito triste. A estação da Union Square ficou COBERTA de papéis por muito tempo de familiares procurando pessoas desaparecidas. Era incrível assistir a dor. Ainda hoje se vêem papeizinhos com nomes de pessoas em um dos corredores daquela estação. A Union Square virou ponto de encontro espontâneo dos que iam em busca de compartilhar a dor daquela experiência. Estive em algumas vigílias com velas e encontros silenciosos com centenas de pessoas. Olha, tudo foi terrível e triste mesmo. O medo imperava e as pessoas estavam muito perdidas. Era uma energia estranha. Certamente esse episódio marcou minha vida e dos que estavam ao meu lado de forma bastante traumática. Contudo, sou da turma que acha que uma violência não justifica a outra. Acredito que é quebrando-se esse ciclo de violências que caminharemos para a paz. Por isso, não comemorei a morte de Bin Laden. Não acredito em vingança como meio de redenção.

Chris O'Sullivan. – Foi terrível, vi tudo pois o meu escritório tem a vista pra downtown. O mais incrível é que o dia estava lindo sem uma nuvem no céu. Um típico crisp september morning. Eu fiquei no trabalho por quatro dias sem voltar pra casa. O clima era super estranho mesmo. Ninguém sabia como agir e nas coorporações a mensagem era "business as usual". Um verdadeiro nightmare. Até hoje não posso ver imagem alguma relacionada a 9/11. Foi sem sombra de dúvida uma tragédia. Fiquei chocada quando vi e li postings e artigos dizendo que justiça não é feita com a morte de um ser humano quando Bin Laden foi morto. Obviavelmete estas pessoas não passaram o que passamos aqui ou não conhecem alguém que morreu queimado nas torres como eu conhecia. Horripilante! Sem contar que para quem trabalha em mundo coorporativo como eu a mensagem era clara e nítida: "business as usual"!!! E a raiva contra os USA é alarmante no mundo a fora. Voltei do Middle East chocada...eles absolutamente ODEIAM tudo relacionado aqui. Não são todos mas a maioria. O desdenho é uninime!

MariLiza Backstrom. -Eu estava aqui e vivenciei tudo! Um Horror! Tive que sair correndo quando cheguei pra trabalhar pertinho das Torres e a primeira torre começou a desabar na minha frente! OMG! Parecia do fim do mundo! Não sabia o que estava acontecendo! Estava sozinha, sem comunicação, sem saber pra onde ir mas continuava correndo e chorando feito louca com centenas de pessoas! Foi um Horror! Phew! Mas GRAÇAS A DEUSA ... conseguir escapar!
Fabiana Saba Sutton- Eu também estava, e meu marido viu da janela do escritório. Foi realmente horrível. Eu estava dormindo quando meu marido me ligou. Ele estava nervoso e pediu para que eu ligasse a TV. Ele me disse que viu da janela do escritório um avião bater na torre. Então vi que tinha entrado um avião na torre, mas ninguém sabia o porque. Logo depois entrou o segundo e a ligação foi desconectada. Fiquei desesperada pois não sabia quão perto ele estava, e nem o que estava acontecendo. Fiquei com medo, e se fosse uma guerra? Eu estava no apartamento do meu marido, então namorado, e era no 39 andar e mesmo sendo no Upper East side dava pra ver a fumaça saindo das Torres. Aliás por dias se viu uma nuvem da minha janela.
Não consegui me comunicar com meu marido, a familia dele me ligava e eu não tinha respostas, mas logo ele chegou em casa, assustado, sujo e meio atordoado. Demorou dias pra ele parar de sonhar com a cena do avião batendo na Torre. Poucos dias depois ouvimos um barulho estrondoso e nos abaixamos, pensando o pior, e não era nada. Mas essa era a sensação, de algo podia acontecer a qualquer momento. Fomos no dia segunte no ground zero para doar pizzas e baterias (era pedido na Tv para fazermos isso). O cheiro la era terrível! Cheiro de morte! Fomos doar sangue mas todos os locais para doação já tinham mais do que o suficiente, pois todos estavam doando. Pois é, todos se uniram, doaram sangue, dividiram lágrimas! Uma sencação da verdadeira comunidade. Uma coisa muito forte nos uniram. Não dá pra explicar, mas é como se todos se olhassem e pela primeira vez se viam, sabe. Já faz tanto tempo tudo isso, e ainda está marcado em todos nós. Todos se lembram aonde estavam naquele dia terrível. Acho tão feio aqueles que dizem que os americanos mereceram isso! Fico muito magoada que existem pessoas que possam pensar isso, desejar isso ao próximo. Claro que existem sofrimentos em tantos lugares, tantas vítimas pelo mundo, e eu sinto por todas elas. Mas isso não desculpa esse ato horrível contra o ser humano, e também não justifica ao pensamento daquele que dá com os ombros e diz sem nenhuma compaixão: existe tanta coisa pior no mundo! Espero que a família das vítimas encontrem paz. E o que era para nos deixar mais fraco só nos deu força, pois nos tornou mais humanos.


Carol Guedes: Um ano atrás, estava chegando as 2:am em NY depois de uma semana de férias no Colorado. Estava passando o verão em NY fazendo cursos na Parsons School of Design antes de iniciar meu mestrado no Reino Unido. Cheguei no aeroporto de Newark, depois de HORAS de atraso no vôo. Tive de fazer conexão em Chicago e depois depois de muito custo, consegui que me colocassem nesse vôo que chegou as 2am em Newark, mas minha mala ficou no vôo original (e claro depois de tudo que ocorreu fiquei sem ela por um bom tempo... Peguei um car service para a casa de minha amiga onde passaria a última semana antes de ir para Barcelona. Ela morava na West 13th e 6th Av. Estava um pouco assustada em voltar tão tarde para casa e sem saber se o taxista estava me levando na direção correta.. Me lembro que as torres foram o meu norte, a cada momento que via que estavámos chegando mais perto da torres, sabia que o motorista estava realmente indo em direção a Manhattan. Cheguei e fui dormir. Acordei cedo para fazer uma prova de inglês (TOEFL) e não liguei a TV. Ao sair de casa, levei um susto. TODO mundo na rua olhando em uma mesma direção. Quando vi as duas torres já estavam em chamas. Escutei na rua dizendo que tinha sido um avião que bateu na torres. Minha primeira reação foi, gente que piloto sem noção, e pior o segundo que foi de alguma forma ajudar, também teria se atrapalhado. Mas estando nos EUA, pensei, apesar de TUDO, em poucos dias, eles arrumarão os prédios e tudo estará bem. Não fazia idéia da dimensão do que estava presenciando. De repente comecei a ver vários homens de terno, correndo deseperados, todos sujos de "dusty" com expessão de desespero em seus olhos, não estava ainda entendendo nada. Mas aos poucos minha ficha comecou a cair, estava de fato no meio de um turbulhão. Nessa alturas não tinha como ir fazer minha prova, não tinha táxi, metrô nada, a cidade virou um caos. Como uma boa turista, sempre estava com a minha máquina comigo, e decidi tirar uma foto das torres, quando vi pela câmera, a primeira torre caindo. Não sabia, mas registrei exatamente o momento da queda... nesse momento estremeci e pensei, meu Deus o que esta acontecendo? o que estou fazendo aqui? Quando a 2 torre caiu escutei um novo OHHHHH . (todos na rua com cara de o que esta acontecendo?) Tentei várias vezes ligar para a minha prima que estava trabalhando lá por perto e nada, Até que consegui falar com ela, e fui para casa dela naquele dia. (PS minha amiga estava viajando, estava so na casa dela). Tive de ir andando ate W 89th e cada prédio grande que passava achava que poderia acontecer o mesmo, tudo cair em cima de mim. Por fim cheguei na casa da minha prima e fomos a uma hospital para doar sangue. Para minha surpresa, eles não aceitaram nosso sangue pelo fato de sermos estrangeiras. Naquela noite, escutamos o barulho dos caminhões (gigantes) descendo a cada minuto em direção ao WTC para resgate. O som das sirenes foi o som que escutamos o dia todo. Um pavor. Não conseguia de jeito nehum falar com minha família no Brasil. Todos pensavam que eu ainda estava no Colorado, pois não sabiam que tinha mudado o vôo de última hora. Consegui falar com uma outra amiga que estava no trabalho e pedi para que ela mandasse um email para minha irmã. Os dias que se seguiram foram de puro pavor. No dia seguinte, as manchetes dos jornais, mostravam as pessoas se atirando das torres. Meu Pai, que desespero, imagina o que passa na cabeça de uma pessoa preferiu se atirar lá de cima? Não consigo para de pensar no dessespero de cada uma daquelas vitimas. No dia seguinte, fui para a casa de uma outra amiga que morava na W 7th - Senti que tinhas 2 NY: Todos que viviam em bairros próximos e que conseguiam ver as torres de suas ruas, e a NY lá de cima, onde todos acompanhavam pela TV, assim como o resto do mundo. O acesso fechou da 14th para baixo. Sem metrô, sem carros, sem nada, apenas. O lixo nas ruas se acumulando, o cheiro insuportável, e ainda não tinha conseguido falar com a minha família no Brasil. Fui andando até a broadway e a 28th, para comprar um celular. Quando estava na loja outro momento de desespero. Todos falando para evacuar, que tinha uma bomba no Empire States. Gente, nunca antes na vida tinha sentido isso, um MEDO enorme, um sentimento de fim. E meu voo para barcelona, tudo cancelado, tudo que eu queria era sair daqui, o mais rápido possível. Resumindo, o primeiro vôo internacional que saiu do JFK foi o meu, para Barcelona. Outro momento de medo, mas tudo correu bem. Ao chegar em Barcelona, estava literalmente em outro mundo. Apesar de todos falarem e acompanharem o que tinha acontecido, nada, nem de perto, a tristeza, o medo, a insegurança dos que estavam aqui naquela manhã. Um ano depois dos atentados, estava em Londres, em uma conferência de telecom, e o palestrante falava sobre o poder dos celulares (e sem noção do público que tinha na platéia, comecou a usar exemplos de como o uso do celular tinha sido relevante naquele dia. Fiquei passada, sempre fico quando me lembro daqueles dias. 

Rosa Carvalho de Freitas - Eu também estava ! Aqui exatamente em frente, mas do outro lado do Hudson. Ainda me lembro das pessoas pulando dentro dos barcos para tentar escapar. Foi horrível ! Ninguém sabia o que estava acontecendo. Durante semanas a gente via pedaços das torres que apareciam nas margens do Hudson. A Paula V. lembrou bem do clima que ficou...um silêncio...o ar com um cheiro pesado...e tudo cinza...
Fernanda Amaral Couto - Eu também estava. Meu marido estava conversando com um dos brokers da Cantor Fitzgerald e ouviu os caras gritarem "fire, fire" e ficou tudo em silêncio (morreu absolutamente todo mundo da corretora pois o primeiro avião bateu no andar deles), muitos amigos dele do mercado conseguiram escapar, no entanto. Ele teve que evacuar o prédio do banco porque é perto de Times Square e depois voltou a pé pra casa que na época era no brooklyn (ele andou por 7 horas). Depois que as torres caíram, parecia que estava nevando mesmo com aquele céu azul, eram as cinzas dos prédios. Ele conta uma cena de todo mundo andando para o norte da ilha depois de terá que evacuar os prédios comercias em Times Square (porque ninguém sabia se os aviões ainda sequestrados iam para lá) e ele diz que era um mar de gente andando sem trocar uma palavra. Tudo silencioso.
Monica Mello de Castro- Eu me lembro que estava descendo a 6th Avenue, e passei pelo hospital St Vincent se não me engano, e via um monte de macas prontas do lado de fora, esperando chegar os feridos. Mas não havia feridos... não chegava quase ninguém... era triste.
Caroline Chevalier Giffoni- Eu nunca vou pra cidade nesse dia, não estava aqui em 2001, mas em 2006 eu estava voltando da fac pra casa (morava a 2 quadras do ground zero) e passei por lá a pé, o clima tava tão pesado e uma sensação de perda tá grande que eu comecei a chorar descontroladamente, tive que ligar para o marido e conversar com ele até chegar em casa. Foi muito forte e desde então eu evito passar perto no dia 11. Tava falando disso com meu marido ontem. Depois de 10 anos, isso não se apagou e nem vai. Foi um evento que marcou uma geração, quem estava aqui jamais vai esquecer isso e quem chegou depois (como eu) e "pegou amor" pela cidade, isso tudo toca fundo e parece muito absurdo. Minha cunhada estava fazendo NYU na época e sempre conta que a roommate dela entrou gritando no quarto, falando que estavam sendo bombardeados e que nas semanas seguintes, quando passava caminhão de bombeiros, as pessoas paravam na rua e batiam palmas. Toda vez que lembro dessa parte do relato eu me arrepio.
Paula A. Moreira- A brasileira Sandra Fajardo Smith, que morreu na Torre Norte do World Trade Center durante os ataques do 11 de Setembro de 2001. Juntamente com a mineira de 37 anos, o governo brasileiro reconhece como vítimas dos atentados os paulistanos Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa, de 30 anos, e Anne Marie Sallerin Ferreira, de 29 anos, que eram colegas de trabalho no Banco Cantor Fitzgerald, no 105º andar da Torre Norte. A morte do capixaba Nilton Albuquerque Fernão Cunha não consta na lista oficial do consulado brasileiro nem da prefeitura de Nova York porque, segundo o Itamaraty, a família não enviou amostras de DNA para confirmar sua identidade.
Marcia Crivorot - Caroline, marcou mesmo. Eu morava na época em Porto Rico, meus filhos tinham 10 e 8 anos. O espaço áereo fechou, minha internet caiu, telefone não funcionava. Meu marido estava em Dallas a trabalho e estaria voando de volta, acabou ficando preso lá por dias. Minha filha que agora tem 20 anos disse que ficou tão impressionada com o trabalho dos bombeiros daqui que está fazendo uma coisa que sempre teve vontade: o curso para ser voluntária dos Fire Fighters.
Ticiana Rocha - Eu conhecia também a Anne e o Alexandre, seu marido. Ela foi da turma de trainee de um banco em SP com o meu marido...sem dúvida uma tragédia! Penso muito naqueles que perderam alguém próximo no ataque e na dor que deve ser assistir os aviões entrando nas Torres..sinto uma angustia, uma agonia, sei lá muito triste mesmo..
Elaine Giurato - Sempre morei em Jersey, mas como muitos na minha área, conhecia pessoas queridas que faleceram no atentado, foram dias e histórias muito tristes. O marido de uma amiga trabalhava na Cantor, e estava no celular com ela descendo as escadas, tranquilo, no 54 andar, quando a torre dele caiu, foi a primeira. Ela trabalhava do outro lado do rio, de frente pra janela dele. Tudo foi um horror, uma tragédia imensa, foram dias apáticos. Conheco pessoas que ficaram muito mal piscicologicamente depois. Mas o que mais me machucou foi ver reações negativas de pessoas no Brasil falando que era bem feito para os Estados Unidos, e eu vi gente. Aqui o desespero, medo, eu indo a memoriais de amigos que a família não teve a chance se velar e se despedir e ainda ver pessoas com esta falta de humanidade, isto me destruiu.
Angela Stewart - Nossa, meninas, esse tópico é emocionante e triste. Eu também na época trabalhava na 57th com a Park Ave e quando entrei no meu escritório, a recepcionista me disse que parecia q um helicóptero tinha batido em uma das torres, depois ela me ligou para dizer que era um avião pequeno e em 10 minutos era um BOING. Nós não tínhamos TV para saber de nada e a sorte é q eu tinha um radinho e a empresa inteira veio para minha sala para ouvir as notícias. Eu estava morando aqui há apenas alguns meses, então não entendia quando todos se desesperavam falando que era terrorismo. Nosso prédio foi evacuado e saímos na rua FANTASMA. Não tinha um carro, ônibus, nem taxi. Fomos andando até a casa de um amigo no UWS, quando paramos no mercado para comprar comida... Foi uma loucura, correria total!!! Quando chegamos na casa dele, ligamos a TV e não acreditamos quando o helicóptero filmava, mas a gente só enxergava um prédio... Nós não vimos que ele havia DESABADO, foi um choque! Consegui voltar para casa no final da tarde por sorte, pois moro no Brooklyn. Ufa, duro relembrar.