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Saturday, February 16, 2008

O lixo americano

Ainda não me acostumei com essa mania dos americanos jogarem eletrônicos (funcionando) e coisas caras no lixo. Semana passada um casal de amigos me perguntou: você já tem dvd? Eu respondi: ainda não. Por enquanto só o dvd do laptop. E eles disseram: agora já tem! Espantada falei: como assim? Vocês querem me vender um? E eles: não não! É que nós temos três e só usamos um. E ainda disse mais: e não se atreva a pagar porque isso é muito comum por aqui. Logo, logo você vai tá dando as coisas de casa também.
O Felipe é garçon e está em Nova York há pouco mais de dois meses. O apartamento dele já tem três tv’s, todas achadas no lixo. Ele conta morrendo de rir e diz que não acreditou quando encontrou a primeira. “São coisas caras, tv’s super legais. Eu não entendo porque as pessoas jogam fora”, disse ele.
É Felipe, realmente é de se estranhar, mas aqui as coisas são muito baratas mesmo. Principalmente os eletrônicos. O povo americano é muito consumista. Eles sempre querem o modelo mais novo, o lançamento. Vender coisa usada por aqui não é muito comum. E também não é usual comprar produto de segunda mão. Por isso, eles jogam no lixo. Confesso que é dificil me habituar com esse costume, mas estou adorando! A primeira doação para o meu apartamento foi uma tv de 29 polegadas. O dono ia se desfazer por ter comprado uma maior. Apenas por isso! E eu pensei: Meu Deus, mesmo sendo usada é uma televisão! Fiquei surpresa, mas aceitei o presente.
No meu prédio uma moradora foi embora e deixou quase o apartamento todo. A zeladora bateu na minha porta para avisar. Fui até lá para ver se queria algo. Ainda sem acreditar, perguntei porque ela não tinha levado nada. E ela me respondeu que a antiga moradora tinha voltado para o país de origem e que não valia a pena fazer a mudança. E além disso, as coisas são muito baratas e ela pode comprar tudo de novo. Levei pra casa uma mesinha de centro e uma luminária super bacanas.
Lembra do casal que contei no início do texto? Ontem eles me deram uma impressora novinha. O argumento: era mais barato comprar uma nova do que comprar os cartuchos especiais que eles queriam. Para mim, basta comprar os cartuchos convencionais que ela volta a funcionar normalmente. É bom chegar num país diferente e perceber que as coisas são mais fáceis, que tudo é mais barato e que as pessoas não têm apego às coisas materiais.

Monday, February 11, 2008

Chegando em NY.

A famosa e temível imigração era o que me preocupava, mas correu tudo bem. Foram apenas três perguntas, os indicadores esquerdo e direito escaneados e finalmente o tão esperado carimbo no passaporte.
Já na esteira, percebo que os carrinhos que servem para carregar as malas são pagos. Aliás, aqui tudo é pago! Custam três dólares cada um. Você pode pagar em notas de um dólar ou no cartão de crédito.
No meu caso precisei trocar uma nota de cem. Ainda bem que existem funcionários para trocar o dinheiro dos que chegam despreparados.
O transporte é muito eficiente. O Airtrain sai do aeroporto JFK e chega numa das estações centrais de metrô em menos de 20 minutos.
Aqui, o nosso maior inimigo é o frio. Luta-se o tempo inteiro contra ele. Mas os restaurantes, apartamentos, lojas e metrôs são equipados para enfrentar a baixa temperatura. Só se passa frio se quiser.
Nas lojas, o valor das coisas chama atenção. Os eletrônicos são baratíssimos, a comida e a roupa nem se fala. Com menos de 10 dólares você consegue comprar um casaco acolchoado com pena por dentro. Esse é o único que aquece de verdade!
Nova York é uma ótima cidade para se andar à pé, as calçadas são largas e planas. Você com certeza vai andar quinze quarteirões brincando, sem perceber.
O que mais me impressionou foi a segurança. As pessoas andam nas ruas na maior tranquilidade. Muitas delas com celulares,câmeras e laptops. A cidade é bem policiada. Mas isso não quer dizer que você não deva tomar as precauções devidas. Afinal. numa cidade de grande porte, prevenir sempre é bom.
É difícil deixar o velho vício do Brasil onde desconfiamos de tudo e de todos. Ainda checo se a bolsa está fechada, não saio com jóias ou qualquer coisa que chame atenção. Apesar de todo mundo me falar que não há problema algum.
Apesar da fama, as pessoas não são gordas. Aqui, os novaiorquinos andam bastante. Não vale a pena andar de carro, táxi ou ônibus por causa do congestionamento.
E a comida é boa. Os famosos e deliciosos Dunkin Donuts dão água na boca.
Viver na América, como eles dizem, é fácil. Difícil é só administrar as saudades das praias, do povo hospitaleiro, da tapioca e do acarajé do Brasil!