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Monday, February 11, 2008

Viver nos EUA... sonho ou pesadelo?

Algumas pessoas se mudam para os EUA achando vão ganhar muito dinheiro ou que vão ficar bem de vida rápido. Mas nem sempre é isso que acontece.
O casal de brasileiros João e Karina chegou nos EUA há 2 anos. Eles largaram tudo para tentar a vida aqui. Uma amiga os convenceu de que Nova York seria a melhor opção, oferecendo hospedagem e trabalho na empresa da família.
Ao desembarcarem, a tal amiga não estava esperando no aeroporto, como combinado. E até hoje eles não a encontraram.
Depois do susto, eles se hospedaram num hotel. Nova York no verão é muito quente. Como fazia uns 40 graus, eles tiveram uma idéia para multiplicar o dinheiro que restava, pois ainda estavam sem trabalho e o desespero começava a bater. Com 70 dólares, decidiram comprar garrafas de água mineral para vender. Mas a grande idéia foi por água abaixo na primeira esquina quando eles foram abordados por policiais. Eles não podiam vender por não terem a licença permitindo o trabalho. Ainda bem que eles arrumaram emprego no dia seguinte, porque o estoque de água durou o mês inteiro!
Começaram a trabalhar como garçons, onde eram explorados diariamente. João chegou a ganhar míseros 25 cents de gorjeta. Em seguida foram contratados por uma empresa de um brasileiro que os tratava como lixo. Era grosseiro e costumava enrolar na hora do pagamento. Se eles não conferissem o salário na hora, sempre vinha errado. E aí, já era! Eles eram passados pra trás.
Hoje a vida deles mudou. Eles abriram o próprio negócio, fazem o horário de trabalho que querem e ganham o suficiente para ter o conforto de que precisam. São felizes e nem pensam em voltar para o Brasil.
Um outro casal de brasileiros recém chegados, o Wellington e a Daniele, vieram para cá com a intenção de ficar apenas um ano para aperfeiçoar a língua inglesa. Mas desde que chegaram enfrentam dificuldades.
O apartamento que eles alugaram quando ainda estavam no Brasil, só descobriram que não estava mais reservado quando chegaram em Nova York. A proprietária do imóvel decidiu alugar pra outro casal que pagou mais pelo local.
A solução foi se sujeitar a morar por uns dias no quarto do filho da proprietária, até arrumar algo decente para morar. Depois de muito procurar, eles acharam um apartamento em Nova Jersey, a poucos minutos de Nova York.
Ele já está trabalhando, mas ela apesar dos anúncios que colocou em vários sites de emprego, ainda não arrumou nada. Passa o dia ouvindo rádio ou andando no frio pela redondeza a procura de trabalho.
O apartamento deles não tem móveis e o colchão inflável que ganharam, furou. Eles tiveram de colocar uma fita adesiva para poder voltar a dormir. Até agora tudo tem dado errado para o casal, mas eles estão otimistas e têm a esperança de que as coisas vão melhorar. E que voltarão para o Brasil cheios de histórias pra contar.

Chegando em NY.

A famosa e temível imigração era o que me preocupava, mas correu tudo bem. Foram apenas três perguntas, os indicadores esquerdo e direito escaneados e finalmente o tão esperado carimbo no passaporte.
Já na esteira, percebo que os carrinhos que servem para carregar as malas são pagos. Aliás, aqui tudo é pago! Custam três dólares cada um. Você pode pagar em notas de um dólar ou no cartão de crédito.
No meu caso precisei trocar uma nota de cem. Ainda bem que existem funcionários para trocar o dinheiro dos que chegam despreparados.
O transporte é muito eficiente. O Airtrain sai do aeroporto JFK e chega numa das estações centrais de metrô em menos de 20 minutos.
Aqui, o nosso maior inimigo é o frio. Luta-se o tempo inteiro contra ele. Mas os restaurantes, apartamentos, lojas e metrôs são equipados para enfrentar a baixa temperatura. Só se passa frio se quiser.
Nas lojas, o valor das coisas chama atenção. Os eletrônicos são baratíssimos, a comida e a roupa nem se fala. Com menos de 10 dólares você consegue comprar um casaco acolchoado com pena por dentro. Esse é o único que aquece de verdade!
Nova York é uma ótima cidade para se andar à pé, as calçadas são largas e planas. Você com certeza vai andar quinze quarteirões brincando, sem perceber.
O que mais me impressionou foi a segurança. As pessoas andam nas ruas na maior tranquilidade. Muitas delas com celulares,câmeras e laptops. A cidade é bem policiada. Mas isso não quer dizer que você não deva tomar as precauções devidas. Afinal. numa cidade de grande porte, prevenir sempre é bom.
É difícil deixar o velho vício do Brasil onde desconfiamos de tudo e de todos. Ainda checo se a bolsa está fechada, não saio com jóias ou qualquer coisa que chame atenção. Apesar de todo mundo me falar que não há problema algum.
Apesar da fama, as pessoas não são gordas. Aqui, os novaiorquinos andam bastante. Não vale a pena andar de carro, táxi ou ônibus por causa do congestionamento.
E a comida é boa. Os famosos e deliciosos Dunkin Donuts dão água na boca.
Viver na América, como eles dizem, é fácil. Difícil é só administrar as saudades das praias, do povo hospitaleiro, da tapioca e do acarajé do Brasil!